terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

Lembrem-me de olhar para o calendário mais vezes, por favor...

"Picture yourself in a boat on a river,
With tangerine trees and marmalade skies.
Somebody calls you,
you answer quite slowly,
A girl with kaleidoscope eyes."
The Beatles, Lucy in the sky with diamonds


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Lá porque não tenho escrito não quer dizer que não tenha andado atenta. A verdade verdadeira é que os acontecimentos no mundo me têm fascinado diariamente… diria até, “horariamente”!

Primeiro, a notícia de que vários cremes foram retirados do mercado por virem embalados de forma demasiado semelhante a iogurte. Pânico! Será que andam por aí estômagos livres de rugas? Será que há por aí mulheres rodeadas de moscas e a cheirar a leite azedo, mas com uma pele muito mais luminosa? “Danoninho. Porque eu mereço” ?!?!
Depois ouço falar dos negócios de um qualquer Pinócrates, que desde pequenino que anda a torcer tudo quanto é pepino… A seguir descubro que existe um Mundial de Futebol de Padres (santa paciência….) que subitamente trás às luzes da ribalta os “ponta-de-lança” da fé portuguesa que não conquistaram o primeiro lugar… caso para dizer que “Deus escreve direito por passes tortos…

… depois de tanta novidade tão interessante dou por mim completamente estupefacta… E a prometer nunca mais ver o telejornal da TVI.
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Agora juntem-lhe umas semanas de trabalho com esforço intelectual intenso, uns cortes de trânsito na nossa capital que transfiguraram vias e faces de condutores, poucas horas de sono (como de costume) e um fim-de-semana com o regresso de amigos vindos de países nórdicos da UE, carregados de histórias para contar e wódka como-deve-ser.

Resultado?

Cabra-anestesiada.

24 de Fevereiro. Dia normal. Um sol agradável, algumas dificuldades em sair da cama.
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Lavei os dentes, gozei descaradamente com a tromba da zombie que estava a rir-se do outro lado do espelho, lavei-me, vesti-me e saí de casa com uns óculos muito escuros na cara.
Fui ao tropeção até ao café daqui da rua, de onde saí muito mais recomposta após uma dose reforçada de cafeína.
Entro no metro e encosto-me no banco.
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Sem que eu tenha dado conta de adormecer e começar a sonhar, na paragem logo a seguir, uma princesa de um metro e vinte e uma fada um pouco mais alta que ameaçava o spider-man com a sua varinha mágica sentam-se ao pé de mim.

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A única coisa em que consegui pensar depois de quase danificar uma vista de tanto esfregar os olhos foi
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“F*da-se… ainda estou com os copos.”


Mais tarde, depois de acordar convenientemente, apercebi-me.
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É Carnaval.


Scofield, Medeski, Martin & Wood - Chank. Para acordar.

segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

Encomende já a sua Salvação e receba de oferta esta fantástica base para copos assinada pelo cristiano ranhaldo...

"Save me!...
Im together with your plan...
Save me!"
Soundgarden, Spoonman


Deixo aqui, para os mais dispostos a tal, a magnífica oportunidade de ouvirem os meninos de Seattle a cantar, enquanto me perco em divagações. Agora é altura de começar a contar-vos mais uma história…
E porquê?

Porque tenho saudades de vos contar uma história! Tenho saudades de vir aqui cabrejar*1 um pouco, como era costume. Lembrei-me desta porque a parte do “SAVE MEEEE” aí dos meninos-do-jardim-da-música me puxou o pensamento para as tentativas de salvamento de que tenho sido vítima nos últimos tempos…

Não sei porquê, mas desde mais nova que as velhotas têm uma estranha tendência a gostar de falar comigo. Nunca fui capaz de dizer “olha, não te esqueceste de nada ao lume?” e ficar a vê-las (a tentar) correr. Acredito que até tivesse alguma piada (será que ainda vou para o céu?), mas nunca consegui. No entanto, já tive vontade.

Acontece que certas velhotas têm uma variante da síndrome Bill Gates. Este costumava dizer “saving the world, one PC at a time”, já elas parecem mais ser adeptas do “salvando almas, de sermão em sermão”… Ora, se por um lado o Gates tem muita garganta (será que o meu PC vai salvar o mundo?), já as velhotas são só garganta. Só. Aliás, eu creio que muitas delas escondem uma espécie de elixir da eterna juventude: aquelas bocas nunca param!

Ora, certo Domingo de manhã tinha um assunto para tratar. Enfiei-me no metro à mesma hora perigosa em que todos saem das respectivas celebrações religiosas (ou quase), rendi-me ao calor e, bem sentada e sozinha no banco, acabei por adormecer.

Durante cerca de 15 minutos, tudo bem. Mas, de repente, a solista do coro da Igreja Global dos Tenores-que-engoliram-microfones, que estava em pé atrás do meu banco, decidiu espalhar a fé em forma de música. Alto. Muito alto. Porra, a mulher tinha engolido um microfone e enfiado um amplificador nalgum sítio. Tinha, tinha.

Ela começou afinadamente (e altamente) a dizer que O Senhor salva.

Eu assustei-me e acordei aos berros a pensar em R.E.M…. ("It’s the end of the world as we know it…")

Ora, se eu fiquei assustada com ela, mais ficou ela comigo. Vociferando qualquer coisa que me pareceu uma beata crítica, olhou-me como se eu fosse possuída e disse para não-sei-quem me salvar e perdoar. Já eu, por meu lado, vociferei qualquer coisa parecido com “folhas” e virei-lhe as costas…
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Mas atenção! Eu não tenho nada contra nenhuma crença ou religião! Não tenho nada a ver com isso, acho que cada um é livre de fazer e acreditar no que lhe apetecer... Não tenho mesmo nada contra! Apenas contra pessoas que perturbam a minha paz...
...

Outro Domingo fui ao pão. Sim, eu sou daquelas pessoas que vai ao pão ao Domingo, quando pode.
A caminhada para o pão ao Domingo é diferente das outras todas, porque o acordar tardio me torna vulnerável ao ataque de “salvamento forçado” que me impingem os membros seniores das diferentes religiões e seitas. Normalmente vou de gabardine, óculos escuros e metralhadora, mas por vezes acordo tarde e esqueço-me, e aí não há nada a fazer senão a célebre manobra forrest-gump-iana: Run, bitch! Run!

Mesmo à porta do super-mercado, duas adoráveis velhinhas munidas de dois daqueles trolleys de xadrez, sorriam, de braço dado, aqueles sorrisos cândidos que só as velhinhas simpáticas conseguem fazer… Como é óbvio, tentei fugir, mas já não havia escapatória… Optei por tentar passar despercebida, mas há qualquer coisa em mim que lhes dá vontade de salvar!
Como se do seu dever se tratasse, logo me puxaram pelo braço com uma força que à partida ninguém pensaria que tivessem. Durante minutos (ou horas? Ou séculos?) falaram sobre a vida e a fé e a salvação, sobre como as revistas que me iam dar completamente de borla me iriam ensinar o que fazer em caso de ataque nuclear (não, eu não estou a gozar, não estou a ser irónica nem sequer a condimentar minimamente o conteúdo da leitura que me deram).

Após me terem nascido as primeiras rugas, consegui finalmente libertar-me. As adoráveis guardiãs da paz viram um jovem casal de namorados, e acharam que eu já tinha sido salva o suficiente, estava na hora de ir salvar mais alguém.
Curiosa como sou, segui caminho com a revista debaixo do braço e acabei por me sentar em casa a ver o que andariam as mulheres a recomendar. Era uma revista…. Como descrever? Fantástica? Sim, fantástica!

Fantástica: adj. 1. Criado pela fantasia; 2. Imaginário; 3. inventado. Do latim phantastĭcus, e este do grego φανταστικός.

Ora então, além de ensinar como REZANDO nos podemos livrar das radiações atómicas pois elas poderão ser desviadas pela FÉ, tinha uma secção de FAQ’s religiosas. Muito giro. Uma coisa tipo “cartas da revista Maria”, mas em vez de serem as perguntas a ter piada, eram as respostas que me davam dores de barriga…. De tanto rir.

Ora então, perguntava uma senhora porque é que o 666 era o número do diabo.

E diziam os senhores da magazine, com uma lógica erm… hmmm… como definir…. Uma lógica… obtusa, vá!

Ora, se o mundo foi criado em 7 dias, e os mandamentos são 10, e o jejum do messias foi de 40 dias, e tudo o que é bom é acima de 7, ora, só lhes resta então uma conclusão: tudo o que é abaixo de 7 é mau. Muito mau!
No fim estive quase a escrever-lhes uma carta apenas com uma pergunta e um suspiro…

E a divina trindade? Xiiiiiiii…..!
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*1 Cabrejar, verbo. Acto ou efeito de ser Cabra ou fazer algo digno de Cabra. Agir em conformidade com os ideais caprinos. Prático e divertido.

segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

Cabra, a sua mão (casco) amiga...

Pois é, meus caros. Aqui estamos nós, de novo em épocas festivo-comerciais, pró-consumistas e emocionais. Natal, Ano Novo, altura de revermos o que foi e fazermos planos para o que vem. Tomar decisões, fazer uma lista de “coisas a fazer em 2009”. Para muitos de vós, o período entre 1 e 20 de Janeiro vai ser particularmente doloroso, pois possivelmente sois parte do grupo que no início do ano diz “é este ano que vou deixar de fumar!!”. Boa sorte nisso! A sério! Eu desejo-vos boa sorte, porque é algo que realmente faz bem… Se não conseguirem, no entanto, nós, os persistentes fumadores que não desistem, esperaremos por vós à saída do café ou do centro comercial, de nariz vermelho e dedos a tremer, sempre dispostos a emprestar o isqueiro.

Mas pronto. Então o Natal foi-se e agora vem aí o Ano Novo. Mais um ano nesta vida, mais uns dias para andarmos a pensar na merda toda que fizemos e na que não queremos repetir… Boas intenções, muita paz, amor e vinho tinto!

Este ano, para não variar, não vou fazer uma lista do que devia mudar para o ano. Gosto mais de a fazer todos os dias (ou quase), à noitinha, enquanto relaxo a ouvir música ou a pensar na vida… Aliás, estava agora aqui a pensar nela (na vida), nos amigos, na família, nas toneladas de mensagens de Natal que enviamos a todos os que importam e nas que recebemos, vindas dos que nos aquecem o coração e de outros que, por vezes, já nem lembrávamos…

Foi por pensar nisso que me lembrei de mais uma resolução de Dezembro de 2008. Uma resolução que é, para mim, muito importante, porque contribui para o bem-estar de toda a gente, indiscriminadamente. Tenho que o fazer, e vou começar aqui, agora e já. Não vai ser fácil! Mas a vida é como os Jogos Sem Fronteiras: tudo o que é difícil é para ser superado!

Cá vai mais um serviço público livre de custos da amiga Cabra. Para quem já sabe, lamento, pois vai ouvir repetir a ladainha. Para quem não sabe, por favor, aprenda… é que fica tão mal! Pior do que usar botas de pêlo (tipo Yeti) na praia em Agosto…

Senhores e Senhoras, Meninos e Meninas:

Sentas-te é diferente de Sentaste.

É que há cada vez mais gente grande, tecnicamente educada e com idade para ter juízo, que confunde a conjugação pronominal reflexa com outras conjugações verbais, e isso deixa-me doida. Completamente possuída. Capaz de arrancar escalpes, dedos dos pés e outras partes sensíveis do corpo humano (de outras pessoas que não eu). Porra! Eu nem sou muito susceptível, não me importo que digam “há-des”, nem me chateio muito com a mania de dizer “fizestes” em vez de “fizeste”, é na boa! Mas… cum caneco! A sério, só de pensar nisso fico doente. É que há pessoas pelas quais até tenho alguma afeição que perdem logo todo o interesse quando escrevem “fizes-te” em vez de “fizeste”!! E eu não quero perder a fé no ser humano!!! É triste!
Imaginem que estamos a falar de uma daquelas pessoas super inteligentes (em tudo menos gramática) que me poderia vir a ensinar astro-física ou matemática aplicada aos choques de electrões! Uma daquelas pessoas que poderiam mudar o mundo e ensinar-me tudo o que não sei!! No entanto, quando me mandasse um mail ou mensagem a dizer “então, Cabra? «Percebes-te» quando te expliquei o que é um polímero electroestrictivo?”. Possivelmente teria que tomar cuidado, pois eu poderia aparecer à porta de sua casa, subitamente afectada por um subtil sotaque britânico, e, abanando uma catana, dizer “tonight you dine in hell”.

Por isso decidi ajudar quem puder… Que sirva de algo. É só isso que podemos esperar das nossas cruzadas: que sejam úteis, que ajudem a melhorar a vida de alguém…

“Sentas-te”
A conjugação pronominal reflexa é aquela em que o verbo aparece conjugado com os pronomes pessoais reflexos (me, te, se, nos, vos e se). Ou seja, é quando se refere a outra pessoa ou coisa… Por exemplo:

“Voltas a dizer mal os verbos e sentas-te numa cadeira cravada de pregos com piri-piri!”

O sujeito a quem se destina a frase vai se sentar, portanto, como é ele que o verbo implica, aparece o “–te”: o “–te” é relativo ao bacano! Fácil, não? Quando queremos dizer "te sentas", é porque leva "tracinho"!


“Sentaste”
A conjugação do verbo regular “sentar” no pretérito perfeito do indicativo (o tempo verbal das coisas que um gajo já fez ontem) não precisa de “tracinho”. É tão simples como isto. Não tem “tracinho” porque não tem reflexo. A reflexa seria “tu sentaste-te”, ou “tu sentastes-te”, para os habitantes de certas e determinadas regiões do nosso país (se bem que esta última forma é errada, resolvemos inclui-la pois pode ajudar algumas pessoas a decorar….).

Há a destacar que, com a palavra toda junta, a própria fonética muda:
- “sentas-te” lê-se “sên-tas-te”, com os “A” e “E” pouco pronunciados, enquanto que
- “sentaste” se lê “sên-TÁS-te", com tónica na segunda sílaba.

Como exemplo, poderemos sugerir:

“Desde que te sentaste ao pé de mim e aprendeste a escrever correctamente que te acho uma pessoa muito mais interessante e perdi a vontade de te espetar com um dicionário ilustrado no meio da testa com muita, mas mesmo muita força. Até parece que os teus olhos ficaram mais bonitos!”


Percebido?
Ora então, temos que “Percebeste” é diferente de “Percebes-te”. E, embora esta última seja muito importante (é essencial uma pessoa entender-se a si mesma), é necessário compreender que se lê de uma forma completamente diferente – é Per-ce-BÊS-te e Per-CÉ-bes-- te.
Tão simples!

Espero ter ajudado. Aqui fica mais uma ajudinha para os tempos de aperto. É um documento que encontrei algures na net e que espero que seja útil para qualquer dúvida de última hora. Fora isso, não desesperem: não há nada como ler para acabar com as dúvidas todas: o hábito fica.

Quanto à malta que “axah mexmuh k se xcrev axim i k axa ixu mt fuhfinhuh”, bem, pequenos jericos … nem sei que vos diga… nem sei se há esperança para vocês… Mas cuidado: poderei agredir-vos com um dicionário volumoso.

E mais?
Resta-me desejar a todos uma excelente passagem de Ano e tudo de bom para o Ano que aí vem. Não se esqueçam que amanhã podemos sempre ser melhores, e que há sempre lugar para as mudanças boas. Tenham fé e esperança… e um bom dicionário à mão. Beijos e abraços, obrigado por este ano fantástico,

Cabra Expiatória



Aqui fica uma prendinha para rirem um pouco. Lembrei-me por causa da conversa de a inteligência ser bonita, o que me levou a pensar em nerds e geeks e essas coisas todas e pronto... tomem lá um pouco de Venitian Princess.

terça-feira, 18 de Novembro de 2008

"You have a firm grasp of the obvious..."

"So, so you think you can tell
Heaven from Hell,
blue skies from pain.
Can you tell a green field from a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?"
Pink Floyd, wish you were here


Agora que já vos consegui pôr a todos com o solo de entrada desta música na cabeça, posso-vos falar do óbvio. Não de “coisas óbvias”, mas antes da maneira como o óbvio muitas vezes é utilizado como um “esfoliante psicológico” que certas aves-raras esfregam (figurativamente) na nossa paciência como se isso fosse refrescante.

O ser humano (e certos e determinados indivíduos também) desenvolveu formas (mais ou menos) complexas de linguagem. Esse esforço, fruto da vontade de sobreviver* e de milénios de evolução, é uma das coisas que nos mantém vivos e saudáveis. É o que nos puxa em conjunto enquanto espécie para um estádio superior. Ou devia ser…

O que se passa é o seguinte. Um gajo fala. Fala para se dar a conhecer, para se unir, para construir e evoluir. Outro fala porque sim… e isso é muito chato.

A ave-rara que fala simplesmente porque sim é aquela personagem fantástica que não diz positivamente Nada de jeito! Mas Nada! É aquela espécie de catatua que aprendeu a articular sons e frases e parece ter esgotado aí as suas capacidades intelectuais!
Passo a explicar…

Uma pessoa teve um dia lixado. Epá, acontece! Acordou tarde e teve que se despachar a correr, a abrir a porta do quarto levou com ela no nariz, nem teve tempo de tomar o pequeno-almoço, por isso deu-lhe uma baixa de tensão no metro e à entrada no escritório. O dia foi longo mas finalmente podia sair do trabalho e, mesmo quando se preparava para descer o último lanço de escadas rumo à liberdade, foge-lhe o pé e lança-se num voo picado em direcção à calçada. Ainda mal se recompunha do misto de choque-com-alegria-incrédula das duas súbitas descobertas (ou seja, : “ESTOU A VOAR!!”; : “F*da-se, não estou não…”) e do impacto, quando o colega-melga que acompanhava a fuga decide mostrar o seu lado "ave-rara" e perguntar em tom zombeteiro “Então, miúda, caíste?!”.

Então, miúda, caíste!?” Mas estás a gozar com quem? Estás a ver uma pessoa no chão sem saber se há de rir ou chorar por causa da merda de dia que teve e ainda decides gozar com a cara dela? “Miúda”?! Mas ouve lá… Eu acabei de fazer duas descobertas encadeadas simplesmente chocantes (em todos os sentidos), estou a ter um dia de merda que não desejo a ninguém, e tu, em vez de me banhares à luz da sabedoria infinita e me dizeres qualquer coisa que me ajude a ser melhor pessoa ou a ganhar alguma forma de conhecimento, do tipo explicares-me o significado da vida ou dizeres-me onde raio é que eu deixei as lentes de contacto, vens me importunar com as tuas fantásticas dissertações sobre aquilo que eu senti em primeira mão? Epá, vai satisfazer sexualmente grilos com uma pinça!

AR- Então? Caíste? He he he he….

C- Não, asno. Tomei uma decisão precipitada….
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*Vontade de sobreviver....? "Will to survive"? Lembrou me qualquer coisa....


Hollywood mon amour - eye of the tiger

segunda-feira, 27 de Outubro de 2008

3 ou 4 coisas óbvias que convém sempre relembrar...

... a propósito da magnífica tira (ou quadradinho?) do Mestre Munroe...

Por mais megalómanos que sejam os orçamentos de estado, por maiores que sejam as críticas a ele feitas, o vosso partido não vai crescer. Nem o vosso pénis…

Por maiores ou mais “merda-!-de-onde-raio-é-que-isto-veio-não-tem-nada-a-ver-com-nada” que sejam os vossos projectos, o vosso pénis não vai crescer.

Por mais potentes que sejam os vossos carros ou mais pequenos que sejam os vossos pequenos telemóveis, o vosso pénis não vai crescer.

Por mais compridos que sejam os autódromos, por maiores que sejam os estádios que planeais construir, a U.E. não vai dizer que os pénis dos portugueses são maiores.

Por mais “mainstream” ou “underground” que desejeis ser, nunca saireis do rebanho…
…. Nem o vosso pénis vai crescer.


Do Mestre Randall Munroe, XKCD.

segunda-feira, 13 de Outubro de 2008

Crise digestiva multifacetada (e o olhe, era uma água de castelo, fá-cha-vore....)

É que uma pessoa tem que andar a engolir sapos por causa dos que andam a cagar postas de pescada....





(por motivos alheios ao metropolitano de Lisboa, os posts têm chegado lentamente. Estamos a trabalhar para que a situação volte à normalidade (possível). Muito obrigado).

terça-feira, 30 de Setembro de 2008

Prémio Gourmet

Após anos e anos de análise, centenas de tabelas e análise de gráficos, devo dizer que me parece que estamos à beira de uma crise.

Não, não estou a falar da economia global, das notícias alarmantes que nos chegam da terra do George (Am)Bush....

Muito pior!!

Falo da crise da era das mensagens.

Hoje em dia, (para muitos) nós somos aquilo que as nossas posses transmitem.

Os cremes, as bebidas, as dietas, os carros... é tudo pela mensagem que damos ao mundo.
Os SMS, MMS, e-mails (ou mensagens de correio electrónico(!)), ou ainda os neo-retro-fashion telegramas em chocolate e pombos correio virtuais... são tudo mensagens que mandamos...

Haverá mais formas de nos darmos a conhecer ao mundo? Claro que sim. E se não houvesse, inventava-se qualquer coisa... até tenho umas ideias...

... imagine-se um web-site onde podemos escrever os nossos pseudo-interesses, revelar informações sobre onde se estuda, o que se faz, quanto se ganha... e mesmo com isto tudo (tal qual como uma cereja em cima de um bolo), ainda podemos juntar fotos!!!! De preferência vestida com o bikini ou o soutien de renda barata, com as calças descidas, com o telemóvel na mão e contra o espelho da casa de banho, que é o maior, para "muxtrar 1cadinhu du meu cuxinho".

Ah! Porra! Já existe! Hi5, Facebook, mySpace, myCrap...

Mas a humanidade não pára, e isso é fantástico. O povo que abandonou a irracionalidade e construiu o pensamento, a lógica, as pirâmides e o Dubai, arranjou nas últimas décadas MAIS uma forma de se exprimir...

A boa velha T-Shirt.

Epá, e não vou mentir. Há mensagens interessantes nas T-Shirts. Umas mais intelectuais, outras mais cómicas.... de tudo um pouco. Mas... quando alguém veste uma peça de roupa que realmente contém uma mensagem, será que realmente está a pensar no que está a dizer ao mundo?

Falo das T-Shirts e semelhantes que aparecem com um fluorescente "Sexy" ou "Sou Boa", "Sex instructor" ou "Chupa, que é bom". (ah também existe na versão jeans, escrito de nálga a nálga, "Sexy"!! Não percam!!).
É que... normalmente... não aparecem nos melhores dos exemplos... Nunca vi nenhuma "modelo" ou cientista, intelectual ou gaja normal com uma dessas...

Coisas como "Solteira e Desesperada" não dão um ar de "gaja porreira que é honesta e inteligente"... é mais um "gaja com comichão 'lá-mesmo' que quer mandar uma". É isto que querem dizer ao mundo? De certeza? Achas que vais conhecer o teu futuro esposo com uma dessas?

Mas há mal algum nisso? Mal nenhum! Desde que as pessoas se sentissem realmente confortáveis, em vez daquela "falsa calma que se traduz em nervos" de quem não sabe se está a ser apreciado ou gozado, e que, por isso, olha em volta desconfiado...

O que nos leva ao título do post. Este mês, o Prémio Cabra na categoria que distingue os que mais se esforçam por descobrir sabores exóticos e conhecer novos tipos de culinária, já tem dono.

Para a menina fotogénica que eu vi no outro dia, vai o muito cobiçado

Prémio Cabra, na categoria Gourmet

Pelo excepcional top que dizia, de mamilo a mamilo, "I swallow".

Diz-me só uma coisa, ó Chef.....

... estás à espera de um beijinho?



E após a cerimónia de entrega dos prémios, um momento musical...

Foo Fighters - (as) Low (as you go)


sexta-feira, 19 de Setembro de 2008

"Shake it like a polaroid picture..."

"Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)"
Ricardo Reis



Os dias escorrem, passam todos, tudo na vida passa. Tudo. O tempo, as fases, as crenças, as juventudes desperdiçadas, os momentos... Tudo.

Grande porra!

Bem que podia passar mais devagar quando envolve a minha felicidade e o meu descanso e a minha saúde e.... e... eee... as minhas férias.

Como se os últimos dias de férias não fossem já, por si só, esgotantes, estes meus ainda têm que envolver uma coisa um pouco complicada, que é andar de avião num voo doméstico. Não, não é um voo num avião com aventais e espanadores, é um voo que liga zonas diferentes de Portugal e que tem que levantar voo de um sítio em específico: o famigerado Terminal 2 do Aeroporto de Lisboa. Essa maravilhosa obra de desenrasking, que à primeira vista pode ser confundido com um qualquer aproveitamento de espaço para organização de um galinheiro de luxo, é na verdade uma caixinha fervilhante de gente com sotaque a tentar ir para qualquer lado...

Bem, mas não falemos da ida, que só o facto de se estar à espera de ir já acalma muitas das dores causadas pelas filas de espera... falemos do voltar. A volta para a nossa mui nobre capital já é feita de outro modo, que não envolve o Terminal 2. É, antes, feita à boa maneira antiga, pelo antigo complexo do nosso velhinho aeroporto.

Falemos na volta. A volta envolve uma Cabra muito mais bronzeada e aparentemente menos cansada, tecnicamente mais relaxada e calma...
O caraças...
A volta envolve uma Cabra cansadíssima que passou os últimos momentos a saltar em cima das malas, que encolheram na viagem (só pode!), para tentar enfiar lá pelo menos mais um chinelo. A Volta envolve uma Cabra que passou horas em pé na fila do check-in, e porquê?

Ai Justino, ai, Justino...!

Porque os senhores operadores do handling e do check-in ou o caraças decidiram fazer greve!

Ora, eu normalmente sou completamente a favor da luta. Costumo, por sistema, compreender os camaradas e as camaradas que lutam pela sua dignidade, e essas coisas todas... mas, no dia em que eu tenho que viajar, bem podiam ter feito uma pausa na greve. Porventura os senhores grevistas já estiveram numa fila de 1 Km com os inevitáveis turistinhas velhotes de cesto com a merenda de chóriss? Aqueles que deviam ser terminantemente proibidos de guiar os carrinhos de bagagem? Não, pois não? Claro que não... só eu sei como ficam os meus tornozelos depois de andar a levar com aquela merda durante horas, porque eles ainda não se aperceberam que não é por me atropelarem que vão entrar no avião mais cedo...
Claro que no início sai sempre um sorrisinho simpático de quem percebe que os pobres anciãos não perceberam que acabaram de me infligir dores horríveis... antes pelo contrário, respondo com um educado "não faz mal" e ainda sorrio. Agora, à 137ª vez, não me f*...

* Choque * gemido * vapor a sair-me pelas orelhas *

Esfinge - Ah, desculpe, é que eu tinha que me desviar...

Cabra - Ah sim? de quê? ainda não reparou que estamos quietos faz agora 1 hora? Não tenho para onde me desviar, desculpe lá....

Esfinge - ah, pois... mas desvie-se.

Cabra - Não.

Esfinge - .. mas...

Cabra - NÃO. Se eu me desviar mais estou às cavalitas deste adorável senhor nórdico que está à minha frente, e ele, por sua vez, não se vai desviar, porque não pode. Ora, se eu porventura for parar à Alemanha ou à IKEA-land por sua causa, não vou poder salvar o mundo, e está tudo acabado. Por outro lado, se você me passar com o carrinho por cima, ficarei colada às solas das sandálias que a senhora insiste em usar por fora dessas meias brancas, o que fará com que os cães lá dentro detectem cheiro a cadáver e saltem para cima de si. Vai perder o avião e a liberdade condicional, e ainda por cima é difícil depois tirar as nódoas das peúgas. Não é melhor parar de me bater com o carrinho? É que eu não posso mesmo mexer-me....

Entrar no avião, mesmo sabendo que vai estar quente como tudo e que ainda vai demorar a levantar e que não posso fumar, começa a parecer-me cada vez mais apetecível.

Ora, entretanto a coisa lá se desenvolve e, com um atraso considerável, estamos no ar e em direcção às 7 colinas.
O avião de regresso de férias é uma coisa linda... dezenas de estudantes adormecidos, sedentos pelas poucas horas de sono que poderão aproveitar da viagem para curar a ressaca... dezenas de turistas adormecidos, ressonando com pronúncias diferentes, sedentos pelas poucas horas de sono porque estão de ressaca.... algumas velhinhas agarradas ao terço porque têm medo, e outras ao saco de plástico porque estão enjoadas (será ressaca?)... é a paz. O da ida é uma barafunda, mas este é um descanso. Há uma inacreditável ausência de tesão por parte dos passageiros para fazer qualquer movimento que seja, ou qualquer som que seja...

Sento-me no meu lugarzinho, mas não sem antes deitar um olhar meigo aos meus companheiros de viagem, já sonolentos e prontos para a hora do Vitinho.

E depois aperto o cinto, ponho o banco na posição vertical, recolho a mesa e preparo-me para adormecer ao som das assistentes de bordo, que em sonhos ouço com um discurso completamente diferente:

"Senhores passageiros, bem-vindos ao Air-bus trezentos e qualquer coisa da Companhia Coiso-e-tal. Vamos agora exemplificar algumas medidas de segurança. Em caso de despressurização, cairá de cima das vossas tolas um calhau para vos adormecer, que é para a gente aproveitar e saltar do avião com os poucos pára-quedas existentes. Caso a gente tenha o azar de caír no mar, olhem! É isso mesmo, Azar! Desemerdem-se, que a gente também! Se porventura...."

Adormeço.

Durante 5 segundos.

Acordo com turbulência acentuadíssima e, em pânico, penso que voámos para dentro de algum furacão. Depois olho em volta e vejo toda a gente pacificamente a dormir ou quase.

O "furacão" são os meus companheiros de voo, atrás.
Dennis, The Menace, e Emily Rose, pós-possessão.

Duas adoráveis criancinhas louras, com cerca de 6 aninhos, felizmente resguardadas das palavras que soltei ao acordar por desconhecerem a nossa língua. E eu não sei de onde lhes vinham as forças, só sei que abanei por todos os lados até aterrar. Não sabia que nos países nórdicos se dava concentrado de red-bull com chocolate e.. sei lá que raio de substâncias é que dão aquela força aos putos!! Só sei que eu abanei como se estivesse montada num touro de rodeo...

Cheguei muito bem disposta.... Muito, mesmo. Estou mesmo muito contente! ... por finalmente ter saído do aeroporto.



Tomem... banda sonora com um gostinho bem irónico, mesmo o que faltava agora.

Queens of the Stone Age - Burn The Witch

quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

... Ainda sobre livros de auto-ajuda...

O único livro de auto-ajuda que recomendo vivamente é o Mestre Culinário.

Tudo o resto é uma boa porra....



Chef, do South Park, de Trey Parker e Matt Stone. A voz era emprestada pelo Isaac Hayes, a quem prestamos homenagem.

quinta-feira, 31 de Julho de 2008

Alma gémea

"...please be the jerk of my knee, I've fit you always!
You finish my sentences, I think I love you!
What is your name again, no matter,
I'm guessing your thoughts again correctly,
and I love the way you press my buttons...
.
... so much sometimes I could strangle you!!"
.
Alanis Morissette, Princess Familiar


Ora, em resposta aos leitores mais curiosos, aqui está o motivo da minha ausência: Férias!
(e quê? também mereço! qué´que foi?)

Vim ter com os meus pais e andamos de roda das lides domésticas a arrumar tudo e mais alguma coisa do que para aqui anda. É verão, é boa altura para mudar para aqui umas coisitas, trocar isto por aquilo, e de repente vamos às arrecadações e começam a aparecer as recordações.
São momentos bonitos, aqueles em que abrimos os armários antigos e as caixas que há muito ninguém desvenda, onde estão escondidos os pequenos objectos que a nossa memória associa a certas e determinadas situações. É tudo lindo!

Ora, no meio das caixas todas, há algumas com umas letrinhas no canto a dizer "Coisas da ____". Não, não diz "coisas da Cabra"...
Essas caixas, ordenadas, são reflexo do percurso que esta aqui que vos escreve foi fazendo pela vida fora. Ou seja, uma vez abertas e desvendados os seus mistérios, são uma espécie de "anedota visual"...

No meio da minha riquíssima biblioteca de livros que sofri para ter e outros que apareceram não sei muito bem como, descubro de repente um livro que uma amiga me ofereceu quando fiz, salvo erro, os meus 15 anos. O meu décimo quinto aniversário foi um espectáculo. Na altura em que os pais mal sabem dos filhos e os filhos mal sabem de si próprios, eu era uma incógnita tão grande para o mundo que as minhas prendas chegariam para agradar todo e qualquer grupo social...

Passo a explicar.
Ora, então, por essa altura, se não me engano, a prenda que mais gostei de receber foi um conjunto de malas de viagem. Creio que foi a minha avó que me deu uns trocos e eu decidi que bom, mas mesmo bom, era investir na minha sede de passear. Não comprei um bilhete para um sítio qualquer, mas comprei umas malas muito jeitosas (e na altura achei que aquela era uma decisão muito sábia!!).
Mas as prendas que recebi do resto da malta, essas sim, confundiram-me. É que, enquanto adolescente, tinha tantas dúvidas como qualquer outro... não fazia grande ideia do que queria ser ou fazer, não tinha caminho definido... fazia-o passo a passo, como qualquer um.

No dia dos meus anos trocaram-me os passos todos...

Uma colega minha, amorosa mas sem grande noção do que é uma boa prenda, achou que eu tinha mesmo era ares de gótica. Ora, deixarei as minhas opiniões sobre os góticos para um próximo post, mas como trailer posso vos dizer isto: podem ter a certeza que nunca "cortei na casaca" de alguém como corto na de homens que usam corpetes de renda de retrosaria barata... Sem ofensa, claro. Toda a gente tem direito a expressar-se!

...E eu tenho o direito de gozar com isso...!

Ora, então essa tal colega ofereceu-me uma peça de decoração para o meu quarto, que era, na altura, decorado com agradáveis e suaves tons de verde e branco. Ela ainda não o tinha visto, e presumo que na altura em que lá entrou, antes de me entregar o seu embrulho, tenha engolido em seco e pensado qualquer coisa do género "f*da-se! Estava à espera que esta gaja dormisse num caixão e tivesse cortinas de papel de alumínio, agora, colchas verdes e imagens de florestas, não!"

Contente, com as amigas todas no quarto e pronta para a festarola, vai de abrir o presente da menina.
... uma vela dentro de uma espécie de copo de vidro trabalhado com desenhos florais em preto, tipo antiguidade. Até não parecia mau de todo, pelo menos até eu a rodar e ver uma inscrição com letras todas maricas a dizer "Rest In Peace".

Fiquei um pouco confusa, devo vos dizer. Lá porque uma pessoa ouve música com guitarras com distorção, não quer dizer que seja obrigatoriamente fã de bandas cujo vocalista parece um porco na matança.....
Eu ouço música de qualidade!! A sério!!!

Bem, na altura pensei "ok, vira-se o R.I.P para a parede e até deve ficar giro na varanda, quando eu for fumar um cigarrinho pensativo... ou não, não sei!". Acabou por dar jeito, realmente. Na altura morava numa zona onde as tempestades eram frequentes, e a EDP não se aguentava muito bem nas noites de temporal, havia apagões a torto e a direito. Claro que não preciso de vos descrever é a reacção da minha mãe a primeira vez que me viu a descer as escadas no escuro com aquele "copo-castiçal" na mão, com as letras R.I.P viradas para ela. Foi qualquer coisa tipo "a professora da primeira-classe a ensinar à turma qual a primeira letra do alfabeto....":

Mãe - AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

A segunda prenda foi a que mais me baralhou. Uma colega das aulas de música, eterna romântica estudante-de-piano, decidiu que o que fazia mesmo, mas mesmo falta na minha vida, era um guia sobre como encontrar a pessoa certa para mim.

Ok, meu anjo, eu até não desgosto de ti, mas isso foi demais... Na altura, eu não tinha a melhor das opiniões sobre o sexo oposto. Achava que havia, efectivamente, alguns espécimes agradáveis ao olhar, mas sempre tive problemas com a altura em que eles abriam a boca... Agora, isso não é desculpa para me ofereceres um livro tipo "guia-espiritual" chamado Almas Gémeas...

O livro era a tanga do costume. Energias positivas, sorria muito, desenhe estes mantras e diga OOOOMMMMMMM.... o habitual. Claro que o li, não podia deixar de me rir com a brasileira que achava que as suas metáforas eram as coisas mais bonitas do mundo. Tinha pérolas do género a mulher varre e o homem apanha o lixo com a pá, e merdas do género, um espectáculo! E depois era tipo guia astrológico: começava por tratar o leitor tipo "caro leitor" e para o fim já dizia "você é linda", porque sabe que 99,9% dos livros vão ser comprados por donas de casa desesperadas...

Mas na altura, depois de ler o livro, ganhei um certo pó às chamadas "almas gémeas". Tédio! Deve ser realmente difícil assistir ou mesmo manter uma conversa com uma pessoa que, à partida, sem nunca nos ter visto, já sabe tudo sobre nós!

Ela - Então e tu...

Ele - Sim, e tu? Gostavas de...

Ela - Sim, claro! Mas tu já...

Ele - ... sim, claro! Quando...

Ela - ... sim, lembro-me! Foi depois do...

Ele - ... claro, eu sei, desde que...

Ela - Ya.

Ele - ...


Que seca! Na altura ganhei uma aversão tão grande às almas gémeas que me assustava sempre que alguém acabava uma frase minha. O que é que pode ser mais frustrante do que isto?

Encontrar a pessoa da nossa vida, ter vontade de deixar tudo e todos para falar com ela, acordá-la a meio da noite só para lhe contarmos mais qualquer coisa, ter vontade de saber tudo sobre ela!...

... e na altura em que vamos começar todas estas conversas maravilhosas, antes mesmo de abrirmos a boca, ela já sabe, e responde com um-oitavo de frase que a gente já sabe como acaba.

As almas gémeas são uma poupança de tempo enorme.....





"Division Bell", dos Pink Floyd, 1994.

sexta-feira, 4 de Julho de 2008

Nostra-dama

O verdadeiro nome do conhecidíssimo Nostradamus era, segundo algumas fontes, Michel de Nostredame ou Miquèl de Nostradama. Gosto mais deste último, porque se adequa mais ao tipo de situações a que me refiro aqui.
Ele dizia que era médico, mas dedicava-se mais à química da altura: a alquimia, que era a "ciência" da malta que tinha descoberto as drogas leves e andava sempre com uma "pedra filosofal". Eu chamo-lhe "descomunal", mas eles deram-lhe um nome mais bonito....

Ora, até hoje se pensa que o gajo conseguia adivinhar o futuro. Não creio. Lá porque um gajo escreve umas frases mais psicadélicas, não quer dizer que sejam referentes ao que mais tarde realmente se vai passar....
Por exemplo, ele dizia que "Um dia serão amigos os dois grandes chefes..."*1. A malta toda diz que isto é referente à queda da União Soviética. Cá para mim, tanto poderia ser sobre isso como sobre o Egas e o Becas, o Bucha e o Estica, o Navier e o Stokes*2 ou sobre o Brokeback Mountain... o que quiserem. Da mesma forma, quando se deu o 11 se Setembro, houve por aí uma data de gente que andou aos berros a dizer "pois, pois! O Nostradamus avisou-nos sobre a queda dos dois irmãos!" Grande coisa! O Tolkien também! Não se lembram da segunda parte do Senhor dos Anéis!? Cá para mim, o Nostradamus poderia estar a falar do que quisesse...

Ora, se eu fosse por aí, dizia que quando a Mafalda Veiga fala dos "pássaros do sul, bando de asas soltas" também já estava a prever o 11 de Setembro... Ou então, quando o Jorge Palma escreveu o "Portugal, Portugal", é porque já sabia que o Scolari vinha treinar a selecção.

Epá... agora que escrevo reparo que isto é extremamente simples! É mesmo muito fácil fazer teorias da conspiração! Será que a Mary Poppins, quando cantava "a spoon full of sugar helps the medicine go down" adivinhava que, em Portugal, se ía disfarçar a crise com notícias extra sobre o Mourinho e o Cristiano Ronaldo?!?! Será que quando os Berlin escreveram o famosíssimo (e chatíssimo) "take my breath away", estavam a adivinhar que eu ía estar no autocarro quando um senhor ía levantar o braço para se agarrar e eu ía ficar com falta de ar!?!??
Brutal!...

Ora, como dá para ver, eu acredito tanto nisto como nos anúncios de águas que, alegadamente, tiram o apetite, regulam o trânsito intestinal e resolvem crimes fiscais...

Mas não é de todo impossível uma pessoa prever acontecimentos a curto prazo. Na verdade, tenho dado comigo a acertar muitas vezes quando faço previsões... Ainda no outro dia observava uma ave rara... a ave rara é mais um daqueles animais de que mais tarde vos falarei.
É um ser fantástico, na verdade. Se fosse um papagaio ou uma catatua, impressionar-nos-ía com a sua magnífica plumagem ou com o seu canto, mas quando a ave rara é uma pessoa, deslumbra-nos com a quantidade de merda que consegue dizer em curtos espaços de tempo. É verdade! Eu, pelo menos, consigo aguentar algum tempo (desde que acompanhada por pipocas) a ouvir as "pérolas de sabedoria" que saltam por aquelas boquinhas fora, desde que a paciência mo permita. E é depois de as ouvir que passo a Nostra-dama, ou a Cabra-Vidente, como preferirem.

Não é nada difícil, aliás, tendo em conta que a ave-rara tem tendência a ser como o extinto dodó: avança, avança, avança, até que se f*de....




Ao vivo, na Cabra Expiatória, o primeiro "momento pindérico" do blog.

Berlin! Take My Breath away!!

Vá! Toca a ligar os headphones para ninguém perceber que vocês vão ouvir uma das músicas mais pindéricas de todos os tempos!
Banda sonora do "filme de culto" dos viciados em Ray-Ban! Top Gun.

Ou seja, para os meninos: "Top Gun, aviões e motas".
Para as meninas: "Val Kilmer e Tom Cruise".


*1 - se houver erro, é da wikipédia, não é meu.
*2 - hah! Olha a Piada Intelectual! É pró menino e prá menina!!! Olha para mim a disparar nomes e a não saber realmente a que se referem!!!!!!! Só sei que me confessam dia após dias que estes senhores lhes deram cabo da cabeça... e até hoje, só sei que é graças a eles que a inundação que se passa num filme de animação 3D parece tão real...

quinta-feira, 19 de Junho de 2008

Numerologia

A dona Restelo gosta realmente de me fazer puxar pela cabeça... E manda-me umas prendinhas porreiras para não me deixar adormecer!

Desta vez a brincadeira envolve uma data de números... vamos lá ver o que é que sai daqui...

Nomear 11 autores e depois ver em que é que dá... Aviso desde já que não vou pôr isto por ordem nenhuma em concreto... vão os primeiros que me vierem à cabeça!

Special Guests!

1 - Subtilmente Descarado
Este vai subtilmente dar-me um murro por ter o descaramento de o envolver na confusão...
2 - ADS
Este é capaz de começar a tecer uma teoria qualquer sobre porque raio é que eu o meto sempre nos meus desafios... mas a verdade é que depois ele responde muita bem!
3 - Rafeiro Perfumado
Não me mordas! Vá lá!
4 - Mokas
Vá lá, Mokas... faz lá um filme!
5 - Mik@
Não me arranhes! Foste tu que pediste sugestões sobre o que fazer...
6 - Hydrargirum
Consegue sempre superar tudo com charme e um humor very british, por isso vai se safar à grande...
7 - Pintinho
Carimba lá esta!
8 - Rita
Minha rainha, vens para esta novela também!
9 - Sofya
Sombrinha! Chamei-te outra vez!
10 - Piston
Um filme com Piston é... é... é sempre um filme com Piston!
11- Medusasss
Minha irmã... também vais entrar no picture!

Cá vai disto!

Como você encontrou o 4?
Acho que foi ele que me encontrou a mim, não me lembro bem... mas é o mais provável. Depois eu encontrei-o a ele, e ele tinha o instrumento na mão...

A câmara fotográfica, pá! O instrumento do fotógrafo....


O que você faria sem o 6?
Epá... sem o Hydra? Não sei... mas ía rir menos, o que era chato....

O que você faria se o 2 e 6 estivessem namorando?
Ria-me. Muito. Ria-me mesmo a sério. Depois rebolava pelo chão e ria ainda mais. Depois tinham que me levar para o hospital, porque ía estar com um grave ataque de falta de ar. Mas a seguir ria-me mais um bocadinho! Mas respeitava a escolha delEs...


O que você faria se o 5 confessasse que ele/ela te ama?
Fazia-lhe festas e dizia "Gatinha! Tu és uma fofa, e tal, mas acho que Cabra e Gata não ía resultar... eu sou muito... sei lá... tenho medo de unhas.... além do mais ías me estragar os novelos todos... e depois.... sei lá... somos as duas mulheres e tal!"

(começo a concordar com a Restelo... este questionário é assim um nadinha... sei lá... estranho! Quem é que inventou isto?)


Quem é o melhor amigo do 11?

Não sei! Med, quem é o teu melhor amigo? Eu ía dizer "o cão", mas não sei se ela e o Rafeirum Perfumatum se conhecem..... Mas também não vou agora andar por aí a falar da vida dos outros, não é?

(Med! Ó Meeeeddddd! Quem é o teu melhor amigo? hein hein?)


Você já se alimentou perto do 1?
Já! Porquê? Há problemas? Já agora, não querem o meu número de telefone, pois não? É da ASAE, este questionário?


Você sente saudades do 2?
A malta porreira faz sempre falta.

Quem o 10 está namorando?
Epá, isto é o blog da Cabra Expiatória, não é a revista Maria... Mas aposto que não é com a Manuela Moura Guedes!


O que você acha do 3?
Acho que é um tipo realmente muito bem-cheiroso. Perfumadinho! A sério! Lavadinho e tal, 5 estrelas! Fora isso, acho que é alguém extremamente inteligente, capaz de fazer críticas muito bem construídas (e construtivas! ele é o engenheiro da crítica!), e com muita piada.

O que você acha do 9?
Acho que é um amor de pessoa, com veia de poeta e um coração enorme. E ouve boa música! acho que também cozinha... é uma maravilha!


O que você faria se 4 e 7 estivessem namorando?
Ria-me. Mais uma vez. Sim, eu até sou uma pessoa bem-disposta, mas os "casais" que este questionário junta são demais....

Belo casal, por acaso. AmbOs gostam imenso de manipulação de imagem e boa música, pelo que sei. Mas quando digo ambOs, digo realmente "ambos os dois homens".

Mais uma vez esta pergunta? Este desafio é um bocadinho repetitivo... e cusco também!


Você casaria com o 8?
Provavelmente não. Primeiro porque não sou propriamente a pessoa com mais tendências a "casar"... e segundo porque... bem.. porque por muito que eu goste da minha Rainha, eu não iria casar com outra mulher....

Você ama 10?
Epá... isto não é um desafio, é um questionário cor-de-rosa!

Tenho todo o respeito pelo senhor, mas não tenho tais sentimentos por ele. Desculpa lá, pá. Mas as coisas são assim.... Sei que vais encontrar, algures no teu caminho, uma "tampa para o teu tacho" uma "alma gémea", uma "companheira", uma Pistona como mereces... mas entre nós, não creio... A culpa não é tua, é minha!...


Já dormiu no mesmo quarto com alguns desses números?
... Eu não durmo!

Efectivamente, este questionário é mesmo cusco!

_________________________________

Bem, meus caros... já está. Considerem-se avisados, os personagens supra-mencionados. Podem responder, se quiserem e não tiverem respondido antes...

Boas noites!

quarta-feira, 18 de Junho de 2008

Smart Francis....

“A melhor maneira de derrotar um inimigo é pedir-lhe uma definição.”
Platão. O homem que nem sempre tinha razão...



Não gosto de começar um desabafo com “há coisas que me irritam…” mas a verdade é que a introdução deve servir, entre vários outros objectivos, para explicitar o conteúdo do texto, por isso, e como a verdade é para se dizer, tenho mesmo que começar assim porque simplesmente não me apetece dar a volta à questão. Portanto, há coisas que me irritam….

Há uns tempos atrás fui a um jantar com os meus pais e uns amigos deles. No grupo havia de tudo um pouco. Os amigos, os familiares dos amigos, e, entre estes, o Chico-Esperto. Sim, logo a mim, tinha que me calhar um Chico-Esperto. Não podia ser um Chico Buarque ou um Avô-Chico, era mesmo um Chico-Esperto.

O Chico-Esperto não é como o Manel Subtil… porque o Manel Subtil faz questão de mostrar que não é subtil, mas o Chico Esperto tem que mostrar que é esperto. Tem que.

Ora, o problema deste Chico é que, além de ter a mania que era esperto, pertencia a uma classe de animais particular e que motiva o título deste texto. Pertencia a um grupo que me irrita solenemente (solene, mesmo. Irritam-me de forma faustosa. Imponente. É impossível não se notar que estou irritada.), que é o dos animais que detestam alguém sem motivo lógico.

Eu não conhecia o Chico de lado algum, mas alguns amigos meus que conheciam já me tinham avisado sobre o cromo e o motivo pelo qual o gajo não iria com a minha tromba nem que eu me pintasse de cor-de-rosa. É que aquele Chico detesta mulheres. Acha que são todas burrinhas. Acha que não vale a pena sequer dirigir-lhes palavra porque são seres inferiores.

Normalmente não costumo meter conversa com tal tipo de pessoas. Não é que eles não mereçam ouvir um “vai à merda” todos os dias ao amanhecer e ao deitar, mas a verdade é que, como costumo dizer, eu não estou neste mundo para criar os filhos dos outros...
Portanto, seguindo esta linha de raciocínio, Evitei sequer olhar para a zona onde tal pessoa estava sentada na mesa do jantar e continuei a minha vidinha, em amena cavaqueira e desfrutando da refeição.

A conversa passou por tudo e mais alguma coisa, e a certa altura falava-se de música. Eu evitava o Espertalhão, e ele evacuava pela boca...
Ora, no meio da conversa, eu disse qualquer coisa que incluía a expressão “a música da geração dos meus pais”.
... como se diz lá na minha terra, está a porra em casa e o Diabo nas couves…

O espertalhão decidiu que eu era mulher e, como tal, me devia calar e ser humilhada em público.
Porreiro! Anda cá touro, que eu tenho uma biqueira para ti!


Ora, numa onda muito platónica, o animal decide começar a implicar comigo e dizer “mas você acha que a música, a verdadeira música, se pode confinar a um espaço temporal? Acha mesmo que existe uma «música do tempo dos seus pais»? O que é a música do tempo dos seus pais?” E diz isto com a maior cara de desprezo e de nojo, como alguém que acabou de provar merda de rato ou coisa que o valha!

Claro que eu, mesmo sendo um ser cheio de paciência, chego a uma altura em que não tenho mais força para me calar. É que enquanto não me envolvem nas suas pequenas afirmações, eu estou bem, mas quando me obrigam a falar, a coisa fica um pouco mais…. Temperada. Com mostarda, se é que me faço entender….

Ora, dado que o home tem a mania que é esperto e está para ali armado em Platão, não me resta senão recorrer às minhas próprias filosofias e dar-lhe um real coice na sua inchada auto-estima…

Cabra Olhe, por acaso eu estava a falar na música que foi composta, produzida e até porventura gravada na época em que os meus pais eram mais jovens. Acho que toda a gente aqui na mesa percebeu, menos o senhor. Mas peço-lhe desde já imensa desculpa, não sabia que era preciso explicar tudo… desculpe lá. Mas já agora, passa-me a garrafa de água, por favor? É essa coisinha aí, de vidro, com uma tampa e que tem um líquido lá dentro que molha quem anda à chuva……

sexta-feira, 6 de Junho de 2008

O cúmulo do "estar com um ar decadente"


"Once upon a midnight dreary, while I pondered weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of some one gently rapping, rapping at my chamber door.
`'Tis some visitor,' I muttered, `tapping at my chamber door
-Only this, and nothing more.'"


The Raven. Edgar Alan Poe.
O Edgar também não dormia muito.
E tinha um ar decadente...

Dormi tanto ou tão pouco que comecei a delirar.

Passei por uma data de arrumadores de carros... por momentos, poderia jurar que um deles tinha dito

- Hey! Usar corrector de olheiras não é pecado!




Lydia e as suas magníficas olheiras, personagem do filme convertido em série "Beetlejuice" dos estudios Nelvana, criada por Tim Burton. Penso eu...

quarta-feira, 4 de Junho de 2008

Silence is golden

... ou a apologia do "tá calado".

No outro dia fui à loja do costume, onde trabalha uma amiga minha, e dou com um "conhecido". Estava eu em amena cavaqueira com a amiga, e o conhecido, após o "olá" seco e o "tudo bem" de quem está com pressa, vai à sua busca pelo objecto encantado.

Chamo-lhe "conhecido" porque não tenho grandes confianças com tal pessoa. Nunca comemos do mesmo prato, nunca trocámos cromos da panini, nunca discutimos o significado da vida. Nunca soube qual é a música favorita dele, e o máximo que sabia dos seus interesses era o comum: profissão.

Nunca fiz julgamentos sobre tal pessoa porque nunca tive motivo para tal. É o gajo que a gente cumprimenta porque vê ou viu durante uma data de tempo, e, lá isso é verdade, malcriado não é... cumprimenta sempre a malta. Bom, mas mesmo bom, era que a conversa tivesse ficado por aí. Mas não. Claro que não...

Ora, como já se sabe, I am a child of the universe, e o dito cujo gosta de alinhar os planetas de forma a gozar com a minha carinha laroca. E não o faz discretamente, tem mesmo que ser uma coisa à escala interplanetária. Ou seja, quando goza comigo, é mesmo para eu ficar de tal forma que nem me lembro de apanhar os queixos do chão...

Não costumo dedicar muita atenção às pessoas que não ultrapassam o domínio do superficial. Aquelas pessoas cuja profundidade máxima de conversa é um "tá de chuva" simplesmente não me aquecem nem arrefecem... são as pessoas de todos os dias, aquelas pessoas "indiferenciadas", bem educadas mas que simplesmente são uma incógnita... os figurantes, basicamente.
Ninguém sabe se ele é bom ou mau, se é cleptomaníaco (diferente de Clapton-maníaco, atenção...) ou viciado em pipocas com banana, se gosta de comédias românticas ou faz colecção de clips coloridos... E também ninguém espera nada dele, porque ele é o figurante... ninguém espera que ele faça algo que salte à vista ou que choque...

Mas depois os planetas alinham-se....

Quando ele se aproxima do balcão com as coisas dele, estou eu no fim da conversa e já com pressa porque tenho que ir trabalhar. Já estamos a fazer contas e a amiga pergunta-me se eu tenho x cêntimos para fazer melhor o troco.

Re-lembro: eu nunca tinha tido com tal pessoa alguma conversa minimamente fora do domínio do "olá, tudo bem"...

Ora, o meu porta-moedas tem mania, e a melhor maneira de descobrir os cêntimos escondidos é virar o conteúdo para a mão ou o balcão.
Quando o faço, sai de lá de dentro uma palheta de guitarra. Nada de mal nisso, é um pedacito de plástico fininho e em forma de cara de alien que me habituei a ter no porta moedas, simplesmente porque sim.

Claro que o ex-figurante repara, pega naquilo e começa a fustigar o balcão violentamente com a palheta, como se tivesse sido possuído pelo demónio do red bull, enquanto canta (canta não... diz!) "néeeuuuu néeeeuuummm néeeeuuuum" (que deve ser o som de uma guitarra... espero eu...).

Desenvolve-se então o diálogo entre as personagens:

Ex-figurante (EF) - (abanando-se como se fosse um cão molhado) néeeuuum néeeeuuummm

Amiga (A) - (ignorando EF) ...Então, tocas guitarra?

Cabra (C) - (simplesmente atónita a olhar para as convulsões do rapaz, outrora tão calmo e profissional) *silêncio*

EF - Tocas? Epá, eu cá toco outras coisas. Prefiro tocar outras coisas, tás a ver? Eu toco com as mãos... tás-me a perceber? Eu toco, tás a ver? Toco.... ... tás a ver?

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Muito obrigado a todas as forças que fazem o mundo girar e os parvalhões continuar... a sério! Como raio é que eu havia de fazer um blog destes se não fosse com a ajuda do Destino, que faz as pessoas mais normais transformar-se em perfeitos anormais e dizer barbaridades destas à minha frente!?
... Oh, musas!...


Se há coisa que me irrita mais do que um javardezinho, é um javardezinho que pensa que toda a gente é burra e não percebe o projecto de piada dele.

Mas sim, caro javarde, eu "'tou a ver" o género de música que fazes... Tu és a "one-man-band"... e realmente até "dás uns toques"... "solos de pífaro", na maioria, aposto... mas não há côro nem vozes de apoio para te acompanhar, pois não?




domingo, 1 de Junho de 2008

Pain is so close to pleasure, ou o desafio mais comprido da história

Pois então a minha cara dona Artemisa veio desafiar-me.

Eu devo confessar que até acho uma certa graça à história dos desafios. Faz parte desta dinâmica particular que existe aqui do lado dos blogs, a malta faz umas perguntas e a gente responde e, às vezes, ficamos a conhecer-nos melhor. Tem a sua piada...

Normalmente isto é relativamente fácil.. mas este aqui deixou-me um bocado à nora....

Pois então a caríssima daydreamer Artemisa lança-me o seguinte desafio:

Nomear 10 coisas que me dão prazer, mas que me fazem sentir um pouco culpada.

Perguntinha malandra! Mas ainda não é desta que me vou pôr a confessar os meus gostos e desgostos....

10 coisas que me dão prazer.... Bonito serviço! E logo 10, ainda por cima!! Não podiam ser 3? Ou 7? Gosto tanto do 7! É um número primo, é o número de "N" coisas giras.... Tem mesmo que ser 10!?!?
Porreiro.
Como é que eu vou fazer isto de maneira a que tenha piada? Este é daqueles todos sérios! Impossível! Peço desde já desculpa...


1- O coice...
Há muito tempo capacitei-me de que é preciso ser coerente, ser justo. Quanto mais injustos nós formos, mais injusto será o mundo.
(que bonito... levo com cada balde de água fria que até ando de lado, mas eu tenho estas convicções, o que é que se há de fazer??)
Mas pronto. Avante.

Procuro sempre ser justa no que faço, e, quer acreditem quer não, não gosto de ofender ou magoar. Aliás, detesto. Mas também não posso ver uma pessoa a ser injusta, má ou nojenta e ficar de braços cruzados.
Tenho a boca grande, tenho a mania que sou rebelde ou que tenho piada, não sei. Mas digo o que tenho a dizer.

E depois tenho aquele pequeno pormenor que é o facto de ser uma Real e Refinada Cabra, o que confere ao coice alguns requintes....

Sinto-me bem quando mando um coice, porque sinto que estou a desenhar um limite em algo que me condimenta a proximidade da fossa nasal (ou seja, algo que me faz chegar a mostarda ao nariz), e penso sempre (que possível) antes de o fazer porque sempre gostei de estar o mais certa possível antes de assentar o punho no ego de alguém.
Faz-me sentir algo mal, porque não deixa de ser lixado...
... Mas depois ignoro isso e sinto-me mesmo bem.


2- Dormir encolhida no banco do comboio.
Isto, meus caros, é um prazer e pêras. Isto sim, é bom! Não é que não me sinta seduzida pela paisagem, mas efectivamente sabe-me bem dormir no comboio. Penso imenso e sonho, ouço música de uma maneira completamente diferente..... Normalmente adormeço bem sentada e acordo toda enrolada no assento, coisa que é especialmente agradável quando não tenho ninguém ao lado (se estiver, arrisca-se a levar patada.....).

Claro que tem um lado menos "bom". Sim, porque é muito bonito ir a dormir pacificamente, mas depois é óbvio que me sinto mal...

.... não, não é pelos pezinhos em cima do banco. Sinto-me mal porque a idade não perdoa e doem-me as costas. Óbvio...


3- Aparelhagens, amplificadores e guitarras.
Nem preciso de explicar esta.... a equação é fácil.

amplificador + música + prédio = Cabra^(felicidade musical) + [ N(vizinhos chateados...) ]

Nem me sinto muito culpada, para ser sincera!
É que tenho um vizinho que repete vez após vez o "hollyday" da Madonna, e estou a ver se o ensino a ouvir música de jeito...!


4- Não trabalhar.
Não sou baldas. Aliás, há dias em que não faço outra coisa que não trabalhar, e quando páro porque tem mesmo que ser, estou a pensar ou a sonhar com o trabalho.

Mas pronto... Trabalho. É o meu vício e é das coisas que mais gosto de fazer. Gosto do que faço! Não me importo de não dormir se for para melhorar o que estou a fazer...
Aí está o meu problema. Não me importo de não descansar, mas quando descanso sabe MESMO bem. Só que ao mesmo tempo sinto-me culpada. Já me disseram qual é o nome desse síndrome, mas sinceramente não precisa de nome para ser eficaz...

Provavelmente, a pior parte é a raiva contra o sono. É que há rage against the machine e há rage against the time to dream.... Não me lembro se era o Jimi Hendrix que dizia que dormir é um desperdício de tempo, mas quem quer que fosse, eu concordo!
Gostava que se inventasse qualquer coisa que reduzisse a necessidade de dormir. Houve tempos em que vi no Red Bull a salvação, mas quando reparei que o meu corpo parecia gelatina no meio de um tufão, fiquei com medo do "E tudo o vento levou...".


(só vou para o 5 agora!??!!? Ai Buda!)
5- a minha colecção de xailes e carteiras...
Peço imensa desculpa, mas esta tinha que entrar. Não costumo falar de roupa, e as peças de que aqui falo surgem apenas porque são peças essenciais e sem as quais a vida como a conheço não é possível. Não gosto de falar sobre roupa (e peço desde já desculpa por fugir ao cliché, mas não gosto!), mas neste caso tinha que falar.

A minha colecção de xailes e carteiras dá-me sempre que pensar. Porque todos os xailes e algumas das carteiras são peças únicas de design "by Cabra" que encomendei especificamente..... à minha adorável avó, que após tantos anos a satisfazer o meu gosto continua com a urgência de me perguntar o que quero, como quero, e ainda me pede se me importo muito de lhe fazer os moldes e os esquemas. Adorável vovó, obrigado. Graças a ti, tenho uma colecção de xailes e semelhantes (detesto a palavra écharpe... é queque...) que não só me aquece e mantém viva e de saúde como também me conferiu a fama de "proto-fadista intelectual"...

Sinto-me culpada e sem saber como a convencer que não preciso mesmo de mais, porque ela não descansa e não pára enquanto não começar um novo. Chegou ao ponto de se levantar cedo para ir meter nos correios um envelope com 3 rosetas de lã que se esqueceu de meter na ponta do meu xaile preto de lã...
O meu Xaile preto de lã... encomenda e design caprino que faz as delícias dos meus ombros nas longas noites de Inverno... (suspiro)


6- ...alguns blogs...
Há um ou dois blogs nos quais sou simplesmente viciada, mas que me sinto estranha por ler. E isto é estúpido, eu sei, mas eu caio nestas contradições...
A verdade é que gosto deles, e são de pessoas que falam de uma maneira tão íntima e tão pessoal que quase que me sinto como uma curiosa a ler o diário de alguém...

Eles sabem quem são. E eu agradeço-lhes, mais uma vez.


7- Fumar
Fumar é muito bom mas faz-me sentir culpada.
Tão culpada que me faz sentir arrepios!

Ah, não! Era uma janela meio aberta. Afinal não me sinto culpada....


8- Não assinar o blog com o meu nome.
Dá me algum prazer, claro. Tem sempre aquele gosto a segredo, a mistério... mas ao mesmo tempo não é muito "meu".

Mas acabo por não me sentir mal duante muito tempo.... Na verdade, seja durante toda a vida ou apenas por alguns segundos cruciais, todos nós nos escondemos atrás de uma dramatis personæ qualquer, e muitas das vezes a única coisa que ela tem da nossa essência é o nome e nada mais...
Aqui acabo por revelar um lado meu, e a única coisa que não é minha é o nome... por isso, não me sinto realmente mal....

Além do mais, não me venham com tretas. Cabra Expiatória é um nome genial, fruto de um trocadilho inteligente e cheio de significados, feito por uma pessoa extremamente humilde e tal...


(Ainda falta mais!?)
9- Destruir neurónios.
Há maneiras tão boas de dar cabo dos neurónios....!
... e uma culpa tão grande depois, quando se repara que eles já foram....


(finalmente!)
10- Dizer palavrões.
É o meu vício. Eu sei que vocês ainda não tinham reparado porque eu disfarço muito bem, mas a verdade é que lá de vez em quando sai-me assim um ou dois tiros de calão. Fortes. Mas são sempre justificados!

E não me digam que não... a verdade é que, de certa forma, é um alívio...

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Não acredito! Consegui dizer 10 coisas! E se você as leu todas sem adormecer, merece um prémio!
Peço desculpa, disse que respondia ao desafio e respondi, mas estava difícil mandar umas piaditas porque a conversa a certa altura ficou séria....

E agora? Mando-o para outras pessoas? Pois cá vai disto!

Meus caros, desafio-vos. Não têm que escrever 10, mas pelo menos 5. Vá lá... estou curiosa!
E os nomeados são!
Hydra
Mokas
Ads
Sofya
Garras
Mik@
Nuno T

Mister P-I-G

Sobre os motivos que levam um "gajo" a tomar certas e determinadas atitudes quando sente o desejo de conquistar a atenção de uma mulher, muito se pode dizer. As atitudes que o respectivo toma são em muito fruto de variáveis como a inteligência, o savoir faire e a quantidade de álcool que o dito cujo já enfiou pelos cornos abaixo. Se bem que muitas vezes há variáveis com mais peso que outras, a verdade é que não podemos deixar de reparar que muitas vezes a situação dá origem a momentos que no mínimo podemos descrever como cómicos...

Homem ou mulher acabarão por dizer qualquer coisa do género "ópá, é lixado ires falar com uma pessoa pela primeira vez ou para lhe dizeres que lhe achas piada", e eu não poderia estar mais de acordo. No entanto, a dificuldade não poderá nunca ser desculpa para comportamentos "javardes" do género do que já foi referido aqui.

Portanto, e mais uma vez pensando no bem comum, lá vem a Cabra mostrar alguns exemplos do que não devem fazer. Porquê? Epá, porque sim! Porque eu quero ver a nossa juventude bem criada!


Caso 1: Super-Homem Vs. Santa Cabra

O super-homem é aquele tipo que realmente consegue saltar edifícios altos, voar (mas para que é que ele salta se pode voar!??!), ver através de paredes de betão armado e, segundo ele próprio diz, proporcionar uma espécie de prazer inqualificável à mulher.
Hoje em dia, penso que os seus "gritos de guerra" (ou seja, frases épicas como "ó boa, anda cá" ou "fazia-te e acontecia-te") foram proibidos por lei, mas mesmo assim, os arrojados guerreiros continuam a sua luta.

Resultado? Dá merda. Pois claro que dá merda!
E continuo a afirmar que qualquer um destes exemplos de "herói", se realmente conseguisse arranjar parceira desta forma, se ía arrepender. Quem é que quer constituir família com uma gaja que fica contente quando lhe dizem "comia-te essas mamas"?? O que é que ele vai dizer no brinde do casamento?

"Ora, eu conheci a Gisvalda num belo dia de primavera. Ali estava ela, ao sol, e eu estava a assentar blocos. Ela passou e eu pensei «porra, que mamas!». Então disse-lhe «Ó febra! Anda cá ver o meu mastro!» e ela respondeu «Sim! Sim! Por favor, deixa-me ver o teu mastro!»"

A maioria não leva resposta. No entanto, houve relatos de alguns que tentaram encurralar a sua presa, e isso deu origem a algo para contar aos sobrinhos...

Super-homem - Epá eu mandava-te uma F*** que te rachava de alto a baixo!

Normalmente sou completamente a favor de palavrões, mas há uma linha ténue que separa o palavrão-piada ou o palavrão-alívio do simples discurso de javarde. Não sei definir, deve ser por causa da maneira como as pessoas o dizem ou então... epá, não sei. Mas aquilo enoja de tal forma que surge o medo de, qual vítima de ataque demoníaco, vomitar o pequeno almoço em forma de jacto, direitinho para o focinho de tal porquinho.
Do mesmo modo, não sou a favor de resposta a tal símio. Acho que não há nada que se possa dizer que vá fazer diferença, não temos como obrigação andar a educar os filhos dos outros... Mas, quando encurralada, a Cabra pode optar por várias respostas. Normalmente a mais eficaz é a que junta o efeito "deixar o porco à nora" com o "pôr os colegas a gozar desalmadamente com ele".

Santa Cabra - Olhe lá, a sua mãe sabe que você diz essas coisas?



quarta-feira, 21 de Maio de 2008

Mulher Vs. vaca


Tristeza não tem fim...

Como cidadã do mundo, vejo-me na obrigação de fazer um pouco de serviço comunitário. Não sei, deve ser um instinto qualquer de "nadador salvador" que vem ao de cima quando vejo acéfalos e animais a afogarem-se porque meteram água...

Nunca pensei que chegaria o dia em que fosse preciso explicar que existe uma diferença do tamanho do universo entre a "emancipação da mulher" ou a "igualdade entre mulheres e homens" e a "apologia da queca".

Passo a explicar.

Pelos vistos andam por aí vacas e acéfalos a fazer debates e a escrever em bloquinhos as suas opiniões, o que por si só é um caso dramático. Mas as opiniões, essas então, valha me Buda. Sob o lema da "igualdade entre os sexos" levantam-se as mais variadas questões. Umas mais coerentes que outras...
Quando uma ou duas ou várias vacas aparecem a dizer que "igualdade entre os sexos" e "emancipação da mulher" é esta poder mandar quecas à vontade e escolher sem críticas alheias os seus vibradores, tenho vontade de... sei lá... fazer saltar dentes!


Quem diria que o mundo chegaria a um ponto em que se confundem conceitos como promiscuidade e igualdade? Ó gente, lá porque rima, não quer dizer que faça poesia! Foda-se! (estão-me a fazer falar mal....)

As nossas bisavós, avós... as nossas mães! O que elas passaram pelas minhas companheiras de geração e as da seguinte! O que elas lutaram para que eu pudesse VOTAR, TRABALHAR, ser IGUAL EM DIREITOS E DEVERES relativamente ao meu irmão! Para quê? Para que hoje, as vaquinhas que já não têm que tomar conta da casa possam vir fazer discursos de merda enquanto esperam que lhes tratem das unhas de gel com decoração tigresa! E lá vão elas, alegremente decorando os verdes pastos da vida com enormes ideias-poias (que é a única coisa que as vaquinhas fazem.. comer e cagar....). É vê-las mugindo "Liberté ou la Mort! Javardice ou nada!"
Desde quando é que a luta pela igualdade passa por ter (tristes) figuras públicas do sexo feminino a dizer em alto e bom som que a mulher só é mulher quando puder comprar vibradores e mandar quecas? Então e a igualdade no emprego? A igualdade de oportunidades? O abrir das mentes que pensam que a definição de "mulher de sucesso" é "gaja que abre as pernas muita bem"? E não lhes dar razão para duvidarem da capacidade e inteligência da verdadeira Mulher? E o fim da violência física e psicológica?

Não! Caga nisso! Vamos mas é dizer que fixe, fixe, é abrir a pernoca... para acabar o curso, para subir no emprego, para casar com um vaqueiro rico... é porreiro ser gaja! É só "apontar os saltos dos sapatos para o céu e pensar em diamantes"!!

Muito obrigado a todas as exemplares que ajudaram essa ideia a implantar-se! (compreendem o conceito de ironia?) Numa sociedade que precisa urgentemente de bons exemplos e de mudança, vêm disfarçar a "comichão no pito" com o conspurcado nome da "emancipação da mulher".
Peço desculpa, não tenho nada contra quecas! Mas não me venham é dizer que "ser igual" é isto... Qualquer ser humano tem direito a mandar as suas, ninguém tem nada a ver com isso... façam o que vos der na telha, ninguém tem nada a ver com isso! Não concordo que a mulher seja incriminada pela sua vida privada e o homem, louvado. Claro que não! Mas... será que temos que andar a colocar estas questões desta maneira?
Contra a discriminação, será a rebeldia-tipo-adolescente-mimada a melhor posição?

É lixado, sabem? E é frustrante... Uma mulher tem que convencer o mundo e o sistema solar inteiro de que o seu mérito profissional não vem do decote, mas sim do neurónio... Tem que provar todos os dias que vale tanto como qualquer um, para tentar calar as vozes que dizem "é mulher, não esperes muito...". Tem que viver com pessoas que erram e são desculpadas, mas quando erra tem sempre que ouvir dizer "tá com a chica"... Tem que convencer o mundo de que não é um objecto e não existe para ser apalpada... Tem que lutar contra estereotipos estúpidos e que, infelizmente, são comprovados por quantidades absurdas de "carne ambulante"... E, no fim, vê que a luta é cada vez mais desigual, que passa a vida a remar contra a maré, porque vai surgir mais um mugido a dar razão às piores teorias.

É fodido. É mesmo muito... ver alguém a dar razão a quem diz que as mulheres só são úteis na cozinha e na cama... F**a-se...

Ser Mulher é ser igual ao Homem. É ser Humano. Tão criticável e tão louvável como qualquer ser humano. Tão cheio de oportunidades, direitos e deveres como qualquer ser humano. E isto inclui o dever de ser melhor.

Get the picture?


segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Profissões nas quais eu me poderia destacar...

... mas não, obviamente, pelos motivos mais comuns.

Acordei extremamente bem disposta, a pensar que sou feliz por fazer algo que gosto. Embora isso me deixe sem tempo nenhum para mais nada, considero-me bastante sortuda. Há tanta gente que não suporta o que faz....! (suspiro tipo filme dos anos 30)

E isto levou-me a pensar em todas as coisas para as quais eu não teria positivamente jeito nenhum. Como... sei lá... telefonista numa linha de SOS anti-suicídio(!).

Não estou de maneira nenhuma a querer gozar com quem quer que seja que tenha considerado essa saída. Não é disso que se trata. Trata-se, antes, de lhes dar um bom motivo para pensarem como são sortudos: ao menos não fui eu que lhes atendi o telefone.

É que eu sou incapaz de falar durante muito tempo sem introduzir na conversa uma piadinha qualquer, normalmente uma referência musical ou um facto histórico curioso... O que não é lá muito bom nesta situação, dado que alguém que diz "sinto-me triste, triste, profundamente triste" não deve querer exactamente ouvir falar da história das duas salsichas a fritar..... (diz-se sál-ssi-chas)

Agora imaginem o que eu imaginei, motivo pelo qual quase cuspi o primeiro café da manhã.

Cena: a Cabra, numa secretária arrumadinha, com uma daquelas armações-tipo-bandolete telefónica na cabeça. Subitamente, o telefone toca:


Pessoa Confusa (PC) - Estou? SOS Vida? EU QUERO MORRER!

Cabra - Calma, jovem... não é melhor falarmos um bocadinho antes de arriscar mudar drasticamente de visual? Eu quando era mais piquena também queria casar com o Knight Rider (ainda hoje me arrepio ao ver o David Hasselhoff e aquela trunfa, mas já não é pelos mesmos motivos...), mas depois isso passou-me... Que se passa?

PC - O que é que se passa!? E o que é que não se passa!? Anda tudo contra mim! Não aguento mais! São os meus pais, o patrão, a malta do escritório, o ornitorrinco... NÃO AGUENTO! NÃO SEI O QUE FAZER!!

Cabra - "Faz-me favas com chouriço.... o meu prato preferido... quando chego p'ra jantar quase nem acredito..... "



José Cid - A pouco e pouco
Brilhante exemplo de óptima letra associada a uma demonstração de afecto como já não se vê hoje em dia.

domingo, 11 de Maio de 2008

Porque os óculos são tão démodé...



Aqui está um bom exemplo de como o Justino gosta de brincar comigo. Vejo o meu estaminé como um dos mais procurados por pessoas (mulheres?) que procuram desesperadamente novos modelos para tricotar enquanto vêem a novela. O meu estaminé. Logo o meu. Com esta bela dedicatória que o google lá deixa, tinha que ser o meu estaminé.....


Sabe ler melhor que um puto de 10 anos?

Então porque é que continua a procurar aqui os seus esquemas de naperons e bordados??


Lamentamos não poder responder ao seu pedido. Temos, no entanto, uma fabulosa secção de insultos e uma lista variada de maneiras de gozar descaradamente com quem merece. Nos corredores dedicados à TPM poderá encontrar uma variadíssima colecção de pratos para partir e NAPERONS PARA ROMPER (ai! pecado!).
Em promoção, o artigo do mês: coice. Fresquinho.

Não, os nossos balcões não estão decorados com finas peças de renda delicada. Não, as nossas televisões não têm um raio de um paninho em cima, nem os nossos sofás. E... Não! Nem pensem nisso! Larguem as agulhas e saiam do cadeirão com as mãos no ar! NINGUÉM vai por um crochezinho em cima da Humberta! Não!

Demos cabo da colecção de dedais de porcelana em miniatura na semana passada (quando nós dizemos que vamos lançar um produto, lançamos mesmo o produto). Os cães de loiça estão esgotados. Creio que o último era um dálmata sem cauda, mas alguém o levou para acalmar o gato da vizinha. Os paus de incenso contra o mau olhado foram-se porque alguns dos nossos empregados de reposição de stock ficaram sem nada para fumar, e também já não temos quadros com um menino choroso porque precisávamos de mortalhas.

Mais? Procure na nossa secção de mercadoria em fim de stock. Os últimos apliques de cetim para candeeiros e cuecas com pompons andam por lá... Estão ao lado das almofadas a dizer "Nesta casa mora um bom Portista/Benfiquista/Sportinguista". Não viu? Ao lado das Nossas-Senhoras que brilham no escuro? Atrás dos bonequinhos de plástico a agarrar os tomatitos...

Ah! Já encontrou? Porreiro.

segunda-feira, 5 de Maio de 2008

Ser Cabra

Ser Cabra é ver de alto, é ver melhor
Que esses "parvos", essas "vacas", que quem esteja
A pensar que é melhor que quem quer que seja...
É ser mãos-largas de justiça e humor!

É gozar com acéfalos sem pudor
mandá-los a todos para a merdaleja
É ter cá dentro veia-cabra que deseja,
Mandar calar todo e qualquer estupor!

"Cala-te e come!" Diz a Cabra pró burrito
"Enganas-te a ti e a outros, mas não a mim...
Uma Mulher é mais que pernas e um pito...!"

E então gozo assim descaradamente...!
Procuro desenganar todo o que pensa assim
Para poder ir ajudando a toda a gente!



quinta-feira, 1 de Maio de 2008

Comfortably numb

A imagem que damos de nós é um assunto complicado. Pelo menos no meu caso. Tenho a sensação que o Destino (ou, como eu gosto de lhe chamar, o Justino) tem um gosto enorme pelas minhas reacções às adversidades, e então põe-me à prova a torto e a direito.

Estes dias de Abril e Maio não tiveram, aqui para a yours trully, qualquer feriado. Antes pelo contrário, mais e mais noites sem dormir, o que, como já sabeis, me deixa naquele estado fantástico meio-zombie-meio-sem-tesão-nenhum-para-sair-da-cama.

Tenho tido uma série de reuniões importantes, entre a minha malta de trabalho e o Sr. X. Claro que, nestes casos, não me importa particularmente que o Sr. X ache que eu sou a pessoa mais interessante do mundo, mas também não dá jeito que ele pense que eu sou uma electricidad-ó-dependente-que-fuma-tudo-o-que-lhe-aparece-à-frente.
Passo a explicar.
Na reunião desta semana, estava aqui a amiga a preparar-se para mostrar o trabalho desenvolvido até agora e trabalhar mais ainda. O que é que isso implica? Ligar a Humberta, claro. A minha fiel e amorosa Humberta...
De costas para a sala barulhenta onde a malta toda trabalhava e discutia ideias, a Cabra baixa-se para ligar a Humberta à tomada. Claro que não reparou que o Sr. X se aproximava por trás, silenciosa e rapidamente.

Antes de continuar, é preciso explicar que eu, embora sendo uma pessoa extremamente bem disposta e energética, sou muito susceptível a assustar-me. E quando me assusto, o meu corpo produz umas reacções que, embora os meus amigos considerem hilariantes, para mim são chatas e cansativas. É que quando me assusto, a respiração pára, o coração dispara, e eu berro. Não sei porquê, não entendo, gostava imenso que parasse, mas tenho que viver com isto.

Ora, voltando à narrativa. Cabra no chão a ligar a Humberta. Sr. X aproxima-se por trás e cumprimenta-me. "Ora boa tarde! Então, prontos para mostrar isso?"
Claro que eu, descansadinha da vida, não estava pronta para ouvir aquele simpático e grave cumprimento. A resposta foi uma vogal:

Cabra - AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH (O "H" não é uma vogal mas faz parte da complicada palavra...)

Sr. X- Então? Apanhou um choque? Olhe que não são os dedos que devem entrar na tomada! (com um sorriso enorme de quem disse a piada do ano)

Claro que eu, branca e com arritmias, tento disfarçar o Ré agudo com um sorriso-amarelo. A piadinha foi bem intencionada, o simpático Sr. X ali a tentar descansar-me... E eu a pensar que raio de imagem teria ele de mim...

Mas porquê? Só por causa deste pequeno incidente? Perguntariam vocês...
Não, meus queridos. A verdade é que o meu grito punha um coronel em sentido, mas o problema é que já na reunião anterior tinha havido piadinha do Justino....

Na semana passada, acordei cedíssimo para me preparar a tempo e horas para a reunião do grupo com o Sr. X. Tinha sonhado com o Vanilla Sky... foi estranho. Sonhei que tinha, também eu, altos na cara... Acordei e fui lavar os dentinhos. Depois de lavar a cara, vi-me ao espelho. E aí caí para o lado.

Sabem aquelas frases do "acredita nos teus sonhos que eles realizam-se"? É verdade!
O que se passa é que o meu organismo não se dá muito bem com as picadas de certos bichos, especialmente quando mordem muitas vezes. Normalmente, nestes casos, em vez de fazer apenas uma chata de uma "bolha", incha. Mas incha cá com uma força que nem dá para ver a picada.

O FDP do Cara-de-car* do asno do bicho picou-me cerca de 7 ou 9 vezes só na testa. O que deu que eu acordasse com a testa inchadíssima (inchadíssima mesmo!) e um olho inchadíssimo que mal abria. A reacção, entretanto, começou a fazer com que os meus olhos chorassem desalmadamente e espirrasse de 5 em 5 segundos... e eu só dizia "Bodito, Justido, Bodito! Agora é que be fodext, Justido!" (o que quer dizer "Bonito, Justino, Bonito! Agora é que me f**este, Justino!", mas eu, de nariz entupido, não falo muito bem...)

Claro que vi a vida a andar para trás, mandei o Justino ir chatear outro e tive que ir à médica.
De metro. A pressa era tanta que nem me lembrei de tirar os óculos de sol da carteira. Fui simplesmente com o cabelo a tentar tapar o estranho fenómeno da testa e do olho...

Sentadinha, nas primeiras horas da manhã, no metro. Senta-se uma velhota à frente. Eu nem imagino o que é que ela estava a pensar... Uma menina, coitadinha, despenteadíssima, com o cabelo a tentar tapar-lhe a cara, ainda a chorar, que deve ter levado um arraial de pancadaria do marido... Coitadinha!!!
Só faltava a mulherzinha agarrar-me a mão e dar-me um abraço, porque a viagem toda olhou para mim com uma cara que eu nem sei descrever... E eu já nem sabia em que buraco me devia enfiar...

Médica. Análise às borbulhas, garganta, olhos, nariz. Entretanto, a reacção alérgica e a constipação e o raio-que-o-parta começaram a deixar-me rouca e sem conseguir suportar luz...
Sair do consultório, ir à farmácia, aviar 300 caixas de comprimidos, gotas, gel-anti-comichão (mal sabia eu o que me esperava) e o raio-que-parta.
Tomar aquilo com meio-litro de água e ir para a reunião.
Ir para a reunião? Telefone.... Não dá para adiar? Nem um pouco mais tarde?
Não. Reunião.
Tento desastrosamente fazer com que o cabelo disfarce aquilo, mas é impossível. O único efeito dos medicamentos até agora é uma sonolência que nenhum café diminui...
Só há uma hipótese. Ir para a reunião e não tirar os óculos nem deixar que a franja saia do sítio. Plano que mais tarde ficou conhecido como "morrer da cura e não do mal...."

Sr. X vem ter connosco para discutirmos, pára e fica a olhar para mim. Uma Cabra rouca, chorosa, com um penteado muito avant garde e de óculos na sala.

Cabra - Sr. X, peço imensa desculpa, mas estou com um pequeno problema nos olhos e não posso tirar os óculos...
Sr. X - Claro, claro, não há mal nenhum. Eu sei como é a vida dos jovens...

Na altura nem ouvi bem, só respondi "Sim, Sim". Claro que, quando aquilo fez sentido, amaldiçoei as bolhas e as alergias e o rai-que-parta...
Para o Sr X, eu devo ser a amiga-do-fumício, muito profissional-fã-do-tinto, cheia-de-estilo lá do grupo...

Obrigado, Justino... Obrigado.... O que raio é que o homem pensará de mim agora???

terça-feira, 29 de Abril de 2008

Banana

Quando um "pseudo-macho" se orgulha de um discurso parecido com:

"Gajas são burras e ponto final. Agora vou ali comer bananas, que eu ouvi dizer que quando se come bananas há mais hipóteses de as gaijas parirem putos machos... e este mundo precisa é de homens!!!"

Esquece-se que para a gaija parir um puto é necessário que um "macho" se consiga aproximar.

Mas, para o "pseudo-macho", a hipótese mais próxima de um acto relacionado com o que "emprenha" reside na actividade das suas mãos. Pouco mais dos mistérios da vida deve conhecer tal espécime, e por isso é preciso preveni-lo...

... é que o inchaço na mão não corresponde à vinda do primogénito varão... só é sinal de muito uso...

... e não importa quantas bananas se enfiam pela goela abaixo...






Desenho de Escher

segunda-feira, 28 de Abril de 2008

"Porque não nasci gajo?" [*]


Considero a questão lançada pelo Excelentíssimo Senhor Miguel Estevez Cardoso no blog "Associação contra as gajas" um desafio, e vou tentar ser breve na resposta.

Mas antes devo cumprimentar as duas personalidades Hiro-Nakamurianas que dobraram o tempo (o espaço já não sei) e se encontraram, qual Egas e Becas, para nos presentear com pequenos salgadinhos e pastelinhos de nata no sítio de tão belo nome, a" Associação Contra Gajas". Assim, cumprimentos caprinos aos senhores Bocage e Miguel, gerentes de loja.

Não, estejam descansados. Claro que não vou dizer que esse nome levanta uma data de questões...

Vou antes passar à resposta. Então os senhores querem saber porque é que há tanta gaija que pergunta, em certas e determinadas alturas, "Porque é que não nasci gajo".

Ora, é verdade. Já fui apanhada com tal frase na boca. Mas era jovem e inocente (sim, houve uma altura na minha vida em que eu ERA, realmente, jovem e inocente) e não tinha noção da profundidade da questão...

Hoje sei explicar-vos, e é com muito gosto que o faço. É que eu ainda tenho muita coisa para aprender, mas o que sei não me importo de partilhar...

A verdade é que, dada a complexidade que caracteriza o corpo feminino e o seu funcionamento, há um grande número de mulheres que tem tendência a ter dores de cabeça. É verdade!

Ora, confrontadas com a dolorosa prova do desgaste que o uso provoca em tão delicada máquina, muitas gaijas acabam por suspirar um "mas porque raio é que eu não nasci gajo", mas a questão está colocada de forma muito incompleta, daí que o seu verdadeiro significado seja difícil de compreender.

A questão completa seria "Mas porque cargas de água é que não nasci gajo? Acho que se não usasse tanto a cabeça ela não doía tanto...."




Que me perdoem os senhores respeitáveis, pela brincadeirinha. Sabei todos que isto tudo não passa de uma amigável resposta a um desafio e nada mais que isso.... Mas, senhores Miguel e Bocage, devo cumprimentá-los pela pertinente diferenciação que fazem entre uma Senhora e uma gaja... Gostei.

* P.S. Devido a problemas com o HTML, tive que corrigir dois pequenos pormenores (que são, afinal, "pormaiores"!). Não alterei em nada a estrutura do texto, apenas o tornei o HTML mais adequado....

sexta-feira, 25 de Abril de 2008

Cartas dos leitores (II)

E a saga continua. Catadupas e catadupas de gente chegam aqui pelos motivos mais estranhos, e eu continuo a tentar responder. Se bem que na "onda" desta semana, os ilustres cibernautas conseguiram superar toda e qualquer expectativa. Acho até que a colheita desta semana conseguiu bater as "erupções no touchpad"....
Heis então alguns dos melhores atalhos florestais que alguns "capuchinhos vermelhos" usaram para chegar aqui, e a resposta da Cabra às questões que os atormentam.

"Sócrates, o filósofo"
Olha, a lição é básica. Sócrates, o filósofo*1, viveu entre 470 a.C. e 399c.C. em Atenas. Fundou a actual filosofia ocidental, mas lixou-se por isso. Há quem diga que a filosofia até tem interesse, mas caíu hoje em dia em desgraça porque cada vez mais pessoas se recusam a utilizar o neurónio.
Há quem acredite que Sócrates era o amigo invisível de outro gajo, um tal de Platão, que também disse uma catrefada de coisas.
Não acreditava no "prazer dos sentidos", e, no entanto, era vê-lo a correr atrás das gaijas - e gaijos, sim? - bouas da altura (que, como viviam numa era em que ainda não se tinha inventado roupa de gente, andavam embrulhados na roupa-de-cama, disfarçados de prendas...).
A sua principal causa era a educação dos cidadãos de Atenas, mas cagava de alto e de repuxo para a dos seus próprios filhos. Morreu nos copos, porque alguém lhe passou a bebida errada: ele pediu um Néctar de pêssego e passaram-lhe um Morte Súbita (paneleirice com uma sombrinha cor-de-rosa e cicuta).

Serve?


"Profissões, blog infantil"
Caro cibernauta, não percebi a sua dúvida. Por isso vou por alternativas:

- SE estava à procura de possíveis ocupações para o seu tempo e decidiu que queria encontrar sugestões num "Blog Infantil", devo-lhe dizer que se enganou no estaminé. Este não é um "Blog Infantil". Infantil és tu... Quem diz é quem é...

- SE estava à procura do blog de uma criancinha qualquer de um país onde os jovenzinhos sofrem de exploração infantil, devo dizer-lhe, de novo, que está enganado(a). Não é este o sítio. Sim, sou explorada vergonhosamente na minha ocupação, à semelhança da maioria das pessoas do meu país, mas já sou maior de idade, por isso não posso chamar a TVI...
Só mais uma coisa: duvido muito que as criancinhas exploradas tenham um blog....

"Wankers, significado dicionário"
Wankers, expressão muito utilizada em países onde se fala inglês, pode-se traduzir para o português como um gajo que tem questões importantes (para ele) entre-mãos... ou seja... é um gajo que.... bem.... cientificamente falando, é um gajo que... pá... não tem ajuda de outra pessoa por isso trata de se tratar sozinho, get it? Não, não é um gajo-auto-medicado... ou será que é?

Porra! Mas como é que tu vieste dar ao meu blog? F*-se! Olha, amanha-te, que é isso que um wanker faz...

"uma frase de Maya no filme kamasutra"
Mas... mas... eu sabia que a Maya não era flor que se cheirasse... mas já faz filmes destes? E como raio é que o meu blog está envolvido!?!?!?

E, por fim, o motivo pelo qual as minhas gargalhadas encheram o quarteirão:

"Uns dias para cá passei a sentir desejos sexuais por minha tia. como devo contá-la?"

What the.....!??!?!
Jovem, larga as novelas e aprende a escrever!!!

Que tipo de pessoa é que é atormentada por questões destas e a seguir vem ao Google procurar respostas!?!?
Que tipo de pessoa é que é atormentada de uma forma quase "Eça-de-Queirós-iana" por tais desejos e, no auge do seu pânico, vê um link onde se lê claramente Cabra Expiatória e entra!
Entrou aqui à procura de respostas!!!

Eu até te quero ajudar, mas como!?
Já sei! Vou te dar algumas boas razões para perderes toda e qualquer vontade...

1- Ela é gira... será que tem fungos nas cavidades?
2- Bonita, realmente. Vê lá se ela não precisa de ajuda para ir mudar o tampão! Já imaginaste? aquilo deve ser uma aventura...!
3- Que curvas... será que é daquelas que enjoa quando fica por cima? Já ouvi histórias do caraças...
4- Epá! Eu conheço essa gaja! Apanhei-a no outro dia numa loja... Estava a pedir um vibrador e a apontar para o extintor...
5- Que gaja linda.... a sério. Já imaginaste o que seria tu conseguires ir dar uma volta com ela e ela ter uma "aparelhagem" maior que a tua?
6- Ela deve ser mesmo gira... A sério... se queres ir falar com ela deves tentar ao máximo pensar nela como num qualquer ser humano, para não te sentires intimidado.
É a melhor cena, para não gaguejares nem nada...
Imagina-a na piscina... na cama.... ou então na casa de banho! Já a imaginaste com aquela carinha linda a fazer um esforço brutal, lentamente a ficar coradinha e depois a ouvirem-se queles sons fantásticos e a criar-se aquela atmosfera... tóxica! É isso! Vai ter com ela e imagina-a a c*!







*1 Utilizamos o cognome "o filósofo" para o separar de outras "Marias". É que em Portugal existe outro Sócrates, ao qual atribuímos o pseudónimo de "Sócras, o FDP", que significa o Filho De Portugal - entre outras coisas.

quarta-feira, 23 de Abril de 2008

(What's the story?) Morning glory

Conversas das 8 da manhã no autocarro...

Cabra - Então, que achas? Se estivesses mesmo mas MESMO sem dinheiro, aceitavas entrar para os Morangos com Açúcar...?

Colega - Não. É que não. Não, não, não.

Cabra - Ó... ía ser giro! Fazías companhia às bandas deles!! Mas... e daí.... és capaz de ter razão... ...Mais vale ser actor do que fazer parte do elenco dos Morangos....



sábado, 19 de Abril de 2008

Moraliza-me aqui os dedos dos pés, sff...


Se há coisa que me deixa mesmo espantada com as capacidades do ser humano são os moralistas. Não sei, sou muito verde, talvez, para perceber como é que um ser humano consegue ser tão.... tão......

Nem sei que adjectivos lhe chame... Mas estava apostada em citar uma música de um senhor que já teve alguma piada...

"Hei de comprar um dicionário
Que só tenha nomes feios
Que é para eu te chamar todos
Até tu teres os ouvidos cheios..."

Eu sei que não entendo muito de construção civil, mas até sei alguns básicos sobre materiais. Logo, sei que quem tem telhados de vidro arrisca-se a ficar sem cobertura se, após ameaça a telhados alheios, a levar com uma valente pedrada.
O que se passa é que, sendo o telhado deles caracterizado por uma menor resistência ao impacto do mineral a que os peritos na matéria chamam "calhau", é óbvio que se vai dar o conhecido fenómeno de "lá se vai aquela merda toda".

Em linguagem mais científica, podemos resumir esta teoria a um "abres a boca, f***s-te".

Ora, se existem ignorantes no mundo, podemos ter a certeza que muitos deles são estes refinados moralistas. E porque é que podemos tirar esta conclusão?

Porque é preciso ser muito estúpido para se fazer merda e a seguir achar que se tem moral para criticar a mesma merda nos outros...

Não vi, até agora, provas do contrário. Pelo contrário, vi uma data de gente que até aparenta alguma actividade cerebral, mas que decidiu escolher o Dark Side e optou por fazer sua missão andar a tentar educar de forma humilhante os filhos dos outros.

Mas atenção! Metade do que eles têm para ensinar, podiam escrevê-lo em resmas e resmas de folhinhas A3 com letra bem grande e a seguir enfiarem a obra-de-arte... exacto! Nesse mesmo sítio em que estão a pensar! É que ler isso seria pior que ler o "Eu, Carolina".... (e olhem que, na minha escala, esse "livro" está abaixo de zero...)

Eu podia ser simpática e dizer-lhes qualquer coisa do género "não és Jesus nem Buda", "nunca te vi a fazer melhor" ou até um caloroso e sempre delicado "V.-T.F."...

Mas quem é que disse que eu sou simpática? Eu sou a Cabra...

Eventualmente vou encontrar um desses moralistas a massajar o ego de forma intelectualmente pornográfica, a tentar provar a sua superioridade em relação a alguém...
Eventualmente, como sou muito paciente (não sou... mas eventualmente estou no sítio certo à hora certa... por isso...), vou encontrá-los, mais tarde, a fazerem pior do que aquilo que criticam.

E quando chega essa hora, é vê-los a ganir. Porque o que eles fazem tem "justificação e valor". Porque quando são eles que fazem é tudo bom. Porque eles podem e acabou.

Quando chega essa fatídica hora, surge em mim uma faceta que não julgava possuir... Um lado da minha personalidade que assume, com humildade, a sua pequena dimensão face ao mundo e à sua dinâmica. Uma parte de mim que sabe que nada sabe, que abre os olhos perante a novidade e reconhece o longo caminho que é a vida e os seus infinitos mistérios....

A essa parte de mim chamo "A Cabra Ingénua".
É essa a parte de mim que me leva a olhar esses animais e suspirar qualquer coisa como

Ena pá... não sabia que havia gente assim TÃO burra...





Imagem de Mauro Scali

sexta-feira, 18 de Abril de 2008

Bacalhau sem natas, bifes sem batatas...

... sou eu, assim sem você...


segunda-feira, 14 de Abril de 2008

Vota Cabra

Se há coisa que me deixa realmente embasbacada são os votos de casamento. Sim, cada vez menos gente usa os tradicionais, e também cada vez menos gente se casa...
Mas, meus amigos, eu penso constantemente em fazer queixa à DECO. É um verdadeiro abuso de publicidade enganadora e uma garantia que não tem cobertura neste mundo.

A culpa talvez não seja da instituição mas sim da tradição, e esse é o facto que me fez sempre acalmar os meus desejos mais anárquicos no que concerne ao casamento.
De qualquer forma, vejamos. Reza a história que um gajo se deve virar para uma gaja (e vice-versa) com uma cantiga parecida com:

Eu, Esdrúval Quinquôncio, aceito-te, Carmelinda Bliquas, como minha esposa, e prometo amar-te e estimar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte nos separe.

Valente porra!
Na verdade, o que a menina espera ouvir é:

Eu, Esdrúval Quincôncio, dono de um instrumento gigante, aceito-te, Carmelinda Bliquas, sua boazuda, como minha princesa, e prometo amar-te e estimar-te, na tristeza da TPM e na alegria da novela, na saúde e na obesidade, na riqueza, porque não vamos ser pobres, até que a morte nos separe, porque eu sei que não posso sair de casa sem autorização.

Por outro lado, há que ter em conta que o home também tem qualquer coisa a dizer... e não diz, porque já tem a cantiga aprendida. De outro modo, teríamos uma musiquinha parecida com:

Eu, Esdrúval Quincôncio, dono de um instrumento gigante, aceito-te, Carmelinda Bliquas, enquanto fores boa, como minha ajudante, e prometo amar-te e estimar-te enquanto não estiver a dar o Benfica/Porto/Sporting/Boavista/Santa Clara (riscar o que não interessa) ou outra coisa qualquer, na alegria e quando estiveres menos mal (quando estiveres mesmo muito mal, amanha-te), na saúde e na doença (minha), na riqueza ou outra coisa qualquer, até que o Dr. Alcindes nos separe.

Por mim a coisa não vai lá assim. Não vai enquanto não existir honestidade no casal!
E, meus amigos, o que está em risco é a felicidade dos Esdrúvais e das Carmelindas do nosso País!

sábado, 12 de Abril de 2008

Home life

A noite arrasta-se com trabalho e distracções. As cabeças cansadas já não pensam muito bem, e como a preguiça combinava bem com a refeição prometida, decidimos jantar qualquer coisa nutritiva, delicada e bem disposta...
Um daqueles manjares "culturais" ... eruditos...

Pizza, portanto.

Conversa e garrafas de super-bock a juntarem-se como se de uma manifestação pela paz no mundo se tratasse. Chega a comida... Paz na cozinha aos homens de boa vontade...

Ele - Estive a ver o teu blog...
Ela - Então, o que é que achaste?
Ele - Está giro... não me lembrava daquela cena do punk...

Pausa... ele corta a pizza e ela deixa-se estar, concentrada no levantamento de copos...

Ele - ... "tesouradas", portanto...
Ela (a rir) - Claro que tem que ter tesouradas... sou mulher, sou portuguesa, sou Cabra... é o que eu faço melhor!...

Ele não responde, simplesmente desata-se a rir.
Ela olha para ele e repara que ele, qual Salomão, com a justiça na mente, divide a pizza de maneira a que as fatias fiquem cortadas eficazmente, sem fios de queijo ou ausências de bacon...
... Ele corta a pizza com uma tesoura... era apenas às tesouradas gastronómicas que se referia, e não às verbais...

Ela riu-se.

Enfiou o barrete e riu-se.

quinta-feira, 10 de Abril de 2008

Cartas dos leitores

Está na hora de me dedicar a uma nova rubrica: Cartas dos Leitores.
Não que eu receba muitas cartas ou tenha muitos leitores... quer dizer, tenho alguns leitores ... boa gente, inteligente e simpática e tal... mas há uma quantidade astronómica de gente que chega cá porque o Google os anda a enganar de uma forma impiedosa e cruel e.... bem feito!

Portanto, e em resposta às solicitações feitas sobre esta estrutura blogal, heis que me apresento como cronista da última página, a menina simpática (se eu conseguisse escrever isto sem me rir é que era doce...) que responde às vossas questões.

Como ainda não há cartas, vou dar uma ajudinha aos Perdidos que o Google cá trouxe.
Para quem chegou aqui através das seguintes expressões, faça favor de se elucidar com a explicação que se lhe junta.
(em caso de dúvida ou persistência dos sintomas, não tenho porra nenhuma a ver com o caso... é que simplesmente não quero saber.)

«Naperons com renda e croché»
Quem é o ou a esperta que vê um link a dizer Cabra Expiatória e entra aqui à procura de naperons com renda e croché? Ouve, mano(a)... a sério... LÊ, porra! Aqui não há croché! Nem naperons! ... já tesouradas e corte e costura, até há.... mas rendinhas, não.

«Viagens na minha terra»
Se és um jovem e nervoso aluno do ensino secundário português, então... então tens todos os motivos e mais alguns para andares nervoso. As raparigas este ano estão impossíveis e, pelo andar da carruagem, vais continuar virgem até ires à tua primeira festa do caloiro, onde te espera a fantástica oportunidade de acordares abraçado a um qualquer membro do Jet7. E porquê? Porque as meninas andam todas deprimidas! É a TPM, é a borbulha na ponta do nariz, são os D'ZRT que acabam, são os Tokyo Hotel que não aparecem... ah! E são, na verdade, gajas. Pseudo-punk-rock-emo-corta-me-os-pulsos-porque-eu-choro-a-toda-a-hora-pá-é-triste-men little girls!

Ouve. A vida vai melhorar. A sério. Mantém pensamentos felizes e concentra-te no teu trabalho. E se vieste aqui procurar um resumo para não teres que ler o livro... já sabes. É como te digo. Tá escasso... mas a vida vai melhorar.

«"I left her in the sand, just a burden in my hand"»
Não sei quem tu és nem como cá vieste parar, mas levas já uns pontinhos na minha consideração. A tua busca tem resposta aqui, e é uma das frases brutais da música brutal que se encontra escondida algures por aqui, no primeiro post deste blog (brutal.... ehe! E humilde!).

«o filosofo sardet»
Com esta devo dizer que.... epá... ri tanto que quase soltei umas gotinhas. "O filósofo Sardet"!?!? Deixa-me rir.... Eu espero que seja mais um caso tipo Olavo Bilac, o poeta do século 19 (salvo erro) que partilha o nome com aquele rouco cheio de rastas que geme umas coisas naquela banda com nome estúpido (Santos e Pecadores? Mas porquê? Mas vocês acham que isso é nome de banda da moda? Acham que isso é "fixe" ou "cool"!?! Manos... a sério... apaguem lá o que estão a fumar...). Mas... jovem... Olha que o Sardet de filósofo nada tem...

«quantos kilo eu preciso perder »
Olha, não sei... a questão se calhar passa por "quantas vezes tenho que dizer não ao 7º Big Mac"...

«Kama Sutra com todas as ilustrações»
Eu própria tentei mais tarde fazer a busca e não encontrei o meu blog. Tinha tido piada, mas não. Entretanto, caro amigo cibernauta, aqui ficam umas sugestões:
1 - não experimentes isso nessa cadeira.
2 - não te esqueças de fazer os aquecimentos musculares.
3 - não deixes a webcam ligada (a menos que seja essa a tua vontade).
4 - verifica se a tua companhia é contorcionista... e se tem tempo!

«Soraia Chaves Elefante»
Sick Bastard! Ouve lá, já não te chegam as coisas que as outras andaram a fazer com polvos e cavalos, tens que ofender a nossa querida Soraia?
... há gente com uma imaginação muito estranha mesmo.

«erupções no touchpad»
É que eu nem sequer quero saber o que raio é que tu andas a fazer com esse desgraçado desse computador.... mas calculo que o teu relato seja qualquer coisa do género:

"Querido Diário,

hoje consegui bater o meu recorde pessoal! he he he eu disse "consegui bater", e nem imaginas quantas! O problema é que estou a começar a desenvolver um probleminha aqui no meu amigão, e estão me a aparecer umas coisas que tenho medo que sejam contagiosas.

Sinto um medo terrível que me tem feito acordar a meio da noite banhado em suores frios a meio da noite (mais do que aquele sonho que eu tinha com a Soraia Chaves versão "canibal esfomeado" com apetites por salsichas....).

Lembras-te de eu te contar que no Porn-tube havia um vídeo com uma menina a dizer "touch me touch me"?? Pois... tenho medo que a minha tentativa de a ajudar tenha levado a que possivelmente eu tenha pegado qualquer coisa ao meu portátil... É que quase poderia jurar que vi ali umas "erupções no touchpad"!!!

Estava tão preocupado!!! Fui à Wikipédia. E lá não encontrei nada... no Google apareci no blog de uma Cabra que tinha lá qualquer coisa sobre touchpads... mas não perdi lá muito tempo porque não tinha ninguém despido... era uma boa porcaria.

Bem, querido diário... vou ali por mais pomada, beber o leitinho que a mamã me trouxe e depois vou dormir, rezando para que amanhã já não haja mais problemas!

Beijinhos,

o teu gostozão ;)"

Caro jovem: eu gostava de te ajudar. A sério. Mas nem sei por onde começar.

__________

Cumprimentos e espero ter ajudado!

Yours trully,

Super Bitch!



- Será uma passarinha?

- Cala-te, porco!

- Ó! Náo tenho a culpa! Ela é que anda a voar em mini saia! ... cof*cof... pronto. Será um avião?

- SIIIIIM!

- Não! É a gaja do 14º andar que tem um pijama foleiro, é sonâmbula e voltou a sonhar que era o Super-Homem....

quarta-feira, 9 de Abril de 2008

Do signo Carneiro

Mamã faz anos hoje.

Querida mamã, como eu gosto de ti. A minha vida sem ti não teria sentido (nem existiria, mas não nos vamos perder com pormenores).
Mamã, todos os dias que eu existo são a busca da perfeição, para te fazer orgulhosa do teu rebento!

Mamã! Sem ti eu nunca procuraria aperfeiçoar-me! Claro que, como o papá é um homem de lógica, racional, eu aprendi que devia focar-me numa habilidade de cada vez.
Portanto, depois do Conservatório, da Faculdade, Julliard e MIT, depois de aprender a controlar os meus poderes e reconstruir o planeta Kripton, depois de escalar o Evereste pela 7ª vez e aprender a tabuada dos 9, vem a minha especialização como Cabra!

Mamã... sempre me ensinaste a diferença entre o bem e o mal (eu é que distorci a imagem). As virtudes da humildade (e eu esqueci-me porque estava a ver-me ao espelho e distraí-me). A diferença entre uns folhos foleiros e um folho chique (e eu continuei a escolher roupa sem apliques...). A quantidade certa de nóz moscada no puré de batata (e eu insisto imenso nisto...) e aquele truque para o bolo cremoso de chocolate ser, efectivamente, um Bolo Cremoso de Chocolate... Tentaste me ensinar a dançar o foxtrot e o passo doble (e deixas-me gozar contigo que nem uma perdida...)... e mesmo que eu não tenha aprendido, eu sei que na próxima vez que estivermos a experimentar qualquer coisa ou outra vez a fazer almoços de família, vamos acabar na mesma a dançar na cozinha...

Mamã... sempre me deixaste comer as bolachas todas (pudera, não tinhas outro remédio... eu era rápida...), ensinaste-me a gozar descaradamente com a minha tia e com a tua sogra (ai love iu mámi!), descobriste, comigo, como rir até soltar umas lágrimazinhas com South Park traduzido para brazileiro e sem censura...

Mamã... embora lá de vez em quando ouças Demis Roussos, sei que realmente gostaste de Skunk Anansie... por isso perdoo-te essa.

...parabéns!



Chagall, com uma Cabra a tocar violoncelo...

terça-feira, 8 de Abril de 2008

Kama Sutra V100.0.1 (Beta release)

Afinal, não era a gaja do Garganta Funda a única que utilizava a boca de maneiras peculiares no que concerne ao acto sexual.

Apresento-vos o "animal histérico".

Freud tinha umas quantas teorias relativamente a histeria... a que mais me faz sentir uma profunda desilusão nos estudos deste aclamado "cromo" é que ele pensava que a histeria era um mal apenas feminino.

Meu caro, eu sou mulher, conheço as mulheres. Passei muitas horas em laboratório a analisá-las (ou seja, na fila para a casa de banho, sem possibilidade de me evadir das conversas que me rodeavam...). Devo dizer-te, e desculpa lá, que não são as únicas com predisposição para tal estado. Isso porque pelo meu caminho também foram passando uns ricos exemplares do chamado "sexo forte" (como eu gostava de dizer esta expressão sem me rir... "forte" só se for mesmo para abrir os frascos de azeitonas quando a história de bater-lhes na tampa com o cabo de uma faca não funciona...).

Aqui está, Senhor Freud, o problema na definição de histeria. É que muita gente associa tal estado a um aumento da frequência da onda do som vocal (ou seja, gritar aguda e irritantemente). Ora, quem, por natureza tem maior amplitude nesse campo (o da voz aguda e irritante) são realmente as mulheres - isto excluindo, claro está, certas manipulações humanas como os Castratti ou o gajo dos Ala dos Namorados...
O problema é que não são só as mulheres a ficar histéricas... Os homens também o fazem - Oh! Se fazem! -, se bem que normalmente num tom de voz mais grave.

Assim, por definição tradicional,

Mulher histérica: o mesmo que gaja chateada, irritada ou fula para além do considerado humanamente possível, e que o demonstra de forma absurda. Invariavelmente azucrina a cabeça da malta abrangida pelo seu raio de acção.

Homem chateado, irritado ou fulo para além do considerado humanamente possível e que o demonstra de forma absurda: o mesmo que gajo histérico. Invariavelmente azucrina a cabeça da malta abrangida pelo seu raio de acção

Mas, e heis que surge então a parte do artigo que justifica aquela introduçãozinha peculiar:

Azucrinar a cabeça: acto ou efeito do ser que, utilizando as suas cordas vocais (entre outros utensílios ou partes do seu corpo) consegue f*der a cabeça à malta abrangida pelo raio das suas acções.
(e a palavra "raio" aparece aqui como "raio!" e como "distância do centro ao perímetro")

E isso é que me deixa incomodada. Porque toda a gente se chateia e se passa, só não tem é que passar horas e dias e décadas a queixar-se e a dar cabo da cabeça da malta circundante... Todos temos direito a uns minutos de ira. A gente entende! A sério! Agora, mais que um dia, vão lá para o raio que os parta... É que não dá....

Assim, em cruzamento com qualquer ser que padeça de tal doença, vejo-me sempre na obrigação de dar algum apoio e ajuda... porque também acho que muitas vezes precisamos de uma nova perspectiva e uma nova maneira de abordar a vida...
Dado que toda a acção do(a) "histérico(a)" envolve um acto sexual violento e egoísta sobre os nossos tímpanos e cabeças, aproveito a predisposição deles e encaminho-a para outro lado...

V.T.F... Longe!



sábado, 5 de Abril de 2008

"Era tão pura e singela que até dava catequese..."

Andam por aí a correr boatos sobre o meu mau feitio.
Eu? Mau feitio? Eu sou a coisinha mais fofa, car*lh*!!
F*da-se... onde é que já se viu uma Cabra com mau feitio...

Só por causa disso, vou dar mostras da minha infinita doçura... Cá vai disto...
Mais um tipo de Cabra: a Santa Cabra...

Ora, ainda nos tempos da narrativa anterior, ou seja, quando eu era jovem e energética, uma piquena Cabra com sede do mundo, aproveitava o tempo que podia para passear. A pé. Tirar umas fotos e sentar-me calmamente num sítio bonito para escrever qualquer coisa ou ler um livro interessante...

Poético...

Ora, heis que num desses maravilhosos primeiros dias de Primavera, decido saír de casa na companhia da minha máquina fotográfica e do meu livrinho (não me lembro qual, mas não era o hiper-disney, estejam descansados....). A brisa quente convidava e lá vou eu.
Andar a pé é uma maravilha na nossa capital. Isto desde que a gente tome atenção ao chão, como já foi referido por várias personalidades distintas, porque fora o maravilhoso cenário urbanístico, vemos espalhadas pelas nossas calçadas a porra dos rastos dos animais pertencentes áqueles que não sabem que é suposto limparem o que o canídeo faz.

Bem, chega de conversa de m*, o que importa é que o dia estava lindo, a cidade estava linda, e lá vou eu para a Baixa. Chiado. Rua Garrett.

É sabido que por essas ruas antigas sempre andaram diversos artistas e pseudo-artistas que tentam ganhar uns trocos. Os meus favoritos são os freaks-proto-hippies (ou a tropa do canídeo) e os punks old-school.
É que os punks ainda tentam afirmar qualquer coisa (não sei é se eles se lembram bem do quê...), mas os freaks e aqueles pífaros horrorosos que eles guardaram como recordação do 5º ano deixam-me simplesmente sem saber afinal o que raio é que eles acham que é música...

Nesse dia, um grupo de dois ou três punkzinhos com idade para ter juízo martelavam uma guitarra e pediam trocos e tabaco. Não sei se estavam a cantar ou a queixar-se por causa das comichões causadas pelas pulgas, sei que me assustei quando um deles começou, do nada, aos berros.
Claro que, a malta da paz, preocupada com o meu estado de saúde, enviou um diplomata para saber se estava tudo bem.

Diplomata - Então, pá, tás bem? Nunca tinhas ouvido Hardcore?

Cabra (a acelerando o passo fortemente) - Já, já... (olhar para outro lado)

Diplomata (tentanto acompanhar o passo-doble) - Então gostvas de ir a um concerto? No sábado, em **** (não percebi)

Cabra - Adorava, mas tenho que ir dar catequese nesse dia...



sexta-feira, 4 de Abril de 2008

These boots were made for walking...

Ora, a pedido de várias famílias (várias... assim algumas... pronto...), aqui vai a história das pantufas.

Espero que fiquem contentes. Cá eu vou me retirar, porque ser a piada é diferente de ter piada. Eu não me importo... ou importo... um bocadinho....

... que se lixe!

Ora bem. Nesses adoráveis tempos dos primeiros anos de faculdade, aqui a aplicada Cabra académica deitava-se tarde e levantava-se cedo. Porquê? Pelo mesmo motivo pelo qual os cães lambem as bolas: porque conseguem... E eu, naquela altura, conseguia levantar-me cedo. Era jovem, cheia de sangue na guelra e tal...

Ora, o meu ritual diário era levantar-me, ligar a máquina do café, casa de banho, pequeno almoço, café, vestir-me, saír de casa, metro, faculdade. Basicamente parecido com o de hoje, mas com a diferença que realmente tinha tempo de fazer tudo. Hoje em dia é tudo a correr, acabo por me baralhar (porque estou ocupada a pensar em questões pertinentes como o motivo da nossa existência e onde raio é que arrumei a torrada desta vez), então dou por mim a comer a pasta dos dentes e meter o café na carteira...

Certo dia desses golden years, a jovem Cabra acordou (a tempo e tal), mas tinha que transportar uma grande quantidade de carga para a faculdade. O peso da sabedoria acabou não só por me dar cabo das costas como por fazer-me ter algo para contar à sobrinha.

Heis que acabo o ritual diário, e ao vestir-me estou já a pensar em tudo o que tenho que levar para não me esquecer de nada. Era um dia importante, de apresentações e tal, e a jovem procura conciliar o dever com o estilo... Sóbria, mas prática, em tons de preto e carregada que nem uma mula, está finalmente pronta para saír de casa.

Na altura morava perto de uma das linhas de metro da nossa capital. Era descer metade da rua, cumprimentar o senhor da pastelaria (porque é sempre bom ter amigos que sabem fazer folhados mistos em condições), entrar na estação de metro e dormir até saír do metro e ir para o autocarro.

Simples e prático.

Então saí de casa, à porta ainda confirmei se tinha o passe e o tabaco, acendi um cigarro e lá fui eu, toda cheia de estilo e questões por resolver na cabeça. Cumprimento a velhota da papelaria/tabacaria (que sorri de forma demasiado simpática), o senhor da pastelaria (que sai do balcão e diz qualquer coisa que eu já não ouço, porque vou a andar rápido), atravesso a rua e metro, aqui vou eu.

Na entrada da estação de metro, começo a achar que, afinal, o mundo é um sítio bonito para se viver. As pessoas todas, que "conheço" e não conheço, olham para mim e sorriem, e eu, com umas olheiras até ao umbigo (na altura não eram tão profundas), sorria de volta.

Estava estranhamente contente por estar tão confortavelmente a passear! Só achava estranhos os sorrisos de uma velhota, que olhava para baixo...
Só quando estava quase a passar para o cais da estação é que reparei que o meu look neo intelectual estava completo por umas pantufas azul bebé com uns desenhos folclóricos... Daquelas fofas e tal, umas verdadeiras almofadas de trazer nos pés.

... foi bonito. Especialmente quando voltei para casa, de trombas e a fumar um cigarro... o dono do café achou um piadão:

Gaja de trombas com mochila enorme, vestida de intelectual, olheiras até ao umbigo e pantufas azul bebé a espreitar por baixo das calças pretas, passa para baixo e logo a seguir para cima a resmungar qualquer coisa que rimava com "folhas com alho porra, só a mim, folhas, é que só mesmo a mim... alho!"



quarta-feira, 2 de Abril de 2008

Me and Bobby McGee

Até podia ser... mas não. Mais uma vez, fui eu e a Humberta Pessegónia, e também é bom.
Bem, para isto fazer algum sentido, devo explicar que nestes últimos tempos tenho andado a uma média de 3 a 6 horas de sono por dia (ena pá! 6 horas!), o que me deixa relaxada, feliz, simpática e nada Cabra...
Espera... hoje é dia 2, já não se pode mentir...

Ok, retiro o que disse. Deixa-me positivamente na merda e com uma inacreditável ausência de tesão para aturar merdas.

Os dois últimos dias pareceram apenas um, mas foi bem recheado graças a Shiva... Tudo começou com um acordar bem disposto, uma chávena de café e depois uma bica ali em baixo. A partir do 3º cigarro já funciono e então estou pronta para o novo dia, bora lá ligar a Humberta.
Trabalho.
O dia passa, a noite chega à metade e cá estamos. Eu e ela, ela e eu. A noite começa a virar para o dia outra vez e cá está ela... e eu a começar a espumar pela boca, já a trabalhar de lado e perto do chão, completamente de rastos...

Nem que seja uma hora, preciso de dormir.
São quase 6... ponho o despertador para as 7 e acordo como se fosse nova.

O Sol entrou pelo vidro e passeou-me pela cara como se fosse dele para brincar.
Claro está que tapei a bochecha, encolhi-me e sussurrei docemente um "foda-se". Virei-me e ronquei mais um bocadinho.

Perto das 10, liga-me uma amiga. "Então? Onde estás? Devias vir para aqui o mais depressa possível!!".

Levanto-me à Conde Drácula, e quando o meu tronco faz exactamente 90º com as pernas ainda a tremer abro a boca e começo:

Quis saber quem sou...
O que faço aqui...

Estou na merda. Atrasadíssima para o que tenho que fazer. Mexo-me em câmara lenta mas o relógio avança em fast-forward... estou no meio de um pesadelo.
Não sei como, visto-me e organizo tudo.
Olho para cima da secretária e vejo a carga de Atlas à minha espera...
Uma mala cheia de papeladas e livros, o tubo de 1m de pôr às costas à laia de Robin dos Frosques e a mala de ombro onde levo a Humberta.



Isto é um tubo à Robin... e o meu é dos grandes...

Mais uma vez, os meus lábios abrem-se... Foda-se....

No caminho para o metro páro para confirmar se não voltei a saír de casa em pantufas. Desta vez está safo... Metro. Estação. Tenho que trocar de combóio.

E é no momento em que me aproximo da porta que desato subitamente a esbofetear-me a mim mesma como se não houvesse um amanhã.
Passo a explicar.
Alguém se lembra dos Onda Choc?
Estava um "indivíduo do sexo masculino", aí perto dos seus 50 e muitos, 60 e poucos, ou seja, com idade para ter juízo, à porta da carruagem do metro. Envergava calças e colete de ganga azul escura (Ganga Man!) e uma camisa de seda branca com um padrão que eu não recomendaria nem para pano da loiça em azul escuro e verde alface... e a linha da porta de saída era o seu dancefloor. Seu. De mais ninguém. E ele dançava qualquer coisa assim tipo passo para a esquerda, passo para a direita, mãozinha levantada com o leitor de MP3, exactamente como os Onda Choc nos seus piores momentos. Qualquer coisa parecida com isto:



Eu não sabia se aquilo era a carruagem temática da aeróbica ou se estavam simplesmente a tentar filmar o resto da carruagem boquiaberta para fazer algum rastreio à cárie dentária... Eu só sei que, ao ritmo a que ele cantava (aguda e ritmadamente) "soft looooove yes sooofftt looove", eu esbofeteava-me. Com força. Para ver se acordava...
(portanto, imagem a reter: um espanador a dançar à Onda choc e uma Cabra com olheiras até ao joelho a esbofetear-se. Aquela carruagem parecia o Voando Sobre Um Ninho de Cucos...)

Ora, eu tinha que saír dali. Tinha. Mas o pseudo-Blondie estava numa de dance the night away ali na "soleira" da porta. Não me lembro muito bem de como é que se reza o Pai Nosso, mas ouviram-me lá em cima e lá saiu a Carmen Miranda à minha frente, na minha estação, espalhando ritmo e cor e queixos caídos.

Sair do Metro, finalmente na estação. Aumentar o volume da música que sai para os meus headphones senão continuo a ouvir explicar porque é que o Metro é melhor que o Destak. Chegar ao destino. Preparar a Humberta e trabalhar. Ouvir as patacuadas do costume, já nem sequer me conseguir irritar porque só vejo incompetência. Sair com um sorriso, à medida que imagino a cara com que o gajo enjoado ficaria se eu lhe dissesse que se ele tirasse o tampão ficaria muito mais bem disposto. E isto, meus amigos, é A Day at The Races.

Saír de lá. Apanhar o eléctrico lá em baixo porque é mais fácil. Sentar-me e ignorar a turista com calções caqui que abre as pernas demasiado, dando me uma visão MUITO INDESEJADA da twilight zone estrangeira.
Detesto sentar-me no lugar de dentro porque prefiro levantar-me N vezes do que ter que fazer as velhotas levantarem-se (e correr o risco de não saír na paragem certa). Mas, e relembro, era:
A Cabra, a carteira enorme, o tubo à Robin e a Humberta Pessegónia.

Senta-se ao meu lado uma jovem vaca comodista... era pálida e fazia beicinho (e como eu adoro meninas que fazem beicinho.... parece que me estão a estender papeis ordenados para agrafar... fetish, pronto....clac-clac)

Chego ao destino. Toca a ser bem educada.

- Olhe, desculpe... - ela olha para mim através de uns óculos de Sol enormes e eu sei que, se conseguir falar devagar e usando termos simples, ela vai perceber....- será que me pode dar licença?

Ela olha-me de alto a baixo. Apeteceu-me enfiar-lhe um alfinete debaixo do queixo. Assim, quando ela chegasse à parte de admirar os meus fantásticos sapatos, picava-se.
Mas não. Sorrio o meu sorriso amestrado e reparo como os olhos dela se demoram na minha carteira enorme - e pesada, porra! -, no meu tubo à Robin, na mala da Humberta.

A vaca, fazendo justiça ao nome, mira-me de alto a baixo e desvia o joelhinho da moda 3 centímetros.
Eu, que tenho fé que ela seja apenas surda e não parva E estúpida, repito um suave "com licença".
Ela olha-me de alto a baixo.

Eu podia ter-lhe dito que a dieta lhe estava a fazer mal e ela apenas tinha perdido peso na cabeça... também lhe podia ter dito que a dieta não estava a funcionar porque ela não conseguia acartar com a própria peida. Mas não.

Passei a mala da Humberta Pessegónia para a frente e o tubo de 1m de trazer ao ombro para trás, e treinei a minha possível entrada para a selecção nacional femenina de rugby.

A mala da Humberta tocou-lhe de rajada naquela cabecinha loira (e ouviu-se um ôco *ploc), o meu joelho acertou no dela, obrigando-a a dar meia voltinha e, toque de classe, o tubinho da MH, após a minha passagem, faz mais um *ploc na testa dela (e o meu tubo ía bem cheio, por isso ela realmente tem falta de qualquer coisa...), como quem diz "TOMA!".

Com um sorriso enorme e o Sol a brilhar-me nos dentes, olho para trás e digo "Oh! Tipo, bué azar! Já viste?", devagarinho, que eu queria falar na língua dela para ela entender bem...

As portas abrem-se e, de novo, sou livre. Saio e começa nos headphones esta música, que achei muito conveniente...

Beirut - Elephant Gun



"If I was young, I'd flee this town
I'd bury my dreams underground
As did I, we drink to die, we drink tonight..."

quarta-feira, 26 de Março de 2008

Desafio - Porque é que tens um blog?

Pois então a Senhora Dona Restelo, dona de um Castelo digno de Filme, desafiou-me. Aparece-me ela toda cintilante, num close-up angelical, e com aquela letra delicada vira-se-me para mim e lança-me a pergunta...

Ó Cabra, porque é que tens um blog?

Agora é que me lixaram!
Porque é que eu tenho um blog?
Eu gostava imenso de saber porque é que tenho um blog!

Vá... em caso de pânico tenho sempre duas saídas na rectaguarda e outras duas por cima das asas...

Tentativa 1: Porque é que tens um blog?
CE: Porque tenho uma TPM lixada....

Tentativa 2: Vá lá... não sejas assim... conta lá aqui à malta porque é que tens um blog!!
CE: Fónix... porque.... erm.... because... porque não sei jogar PlayStation... tenho um problema de coordenação.... triângulo círculo... esquece. Acabo sempre a atirar com o comando para cima do adversário....

Tentativa 3: ....deixa-te de merdas e responde.
CE: Ui! Que medo! Amarra-me à bancada da cozinha e chama-me Dona de Casa Desavergonhada!

Tentativa 4: ... IRRA!
CE: OK... OK... não te exaltes, Exaltino....

No ano de Deus Nosso Senhor de mil novecentos e oitenta e já nem me lembro, veio ao mundo uma...
uma...uma Cabra! Pronto!

E essa Cabra cresceu (um bocadinho) e foi refinando as suas artes.

Ora, em tempos, a Cabra, passeando com os amigos, ouviu falar de coisas fantásticas que eram os blogs.
Primeiro assustou-se, pensou que eram pequenos seres microscópicos que controlavam os espirros. Mas depois foi ver à wikipédia e começou a ler blogs (e guardou as quantidades astronómicas de aspirinas que comprou, só para o caso de os blogs se chatearem com ela)...
Na altura era o Estado Civil, o Despropósito e o Subtilmente Descarado, assim que este apareceu...

Naquele tempo, a pequena Cabra decidiu que fixe fixe era abrir um estaminé e dizer qualquer coisa à malta... Mas o quê?

No início eram umas patacuadas por aqui e por ali... uns desvarios do cantinho mais escuro e bafiento da alma... Mas a coisa era um bocado hermética, como uma amiga minha viria a descrever, e com toda a razão. Era assim... pronto... tipo... mal disposto! São coisas...

Desse tempo resta pouco mais do que a música. O resto era muito estranho, porque eu não tenho jeito para escrever coisas tristes...
Esses anos difíceis quase foram o fim deste sítio...

Um dia, em conversa com o Subtil, relatávamos a tristeza de ser Bode Expiatório de tudo e de nada, de levar com as culpas do que não se fez, de o mundo ser injusto e tal e coiso... E reparo que, no meio daquilo, já está a malta toda a rir porque o que quer que contássemos vinha com tanto escárnio e mal-dizer no meio que, em vez de triste, era, afinal, uma manifestação, o motor de algo... Uma gargalhada! E porquê?

Porque a verdade, meus amigos, aquela verdade nua e crua (aquela que "não pertence a ninguém mas tão somente a quem for capaz de entendê-la"), ... É que...

Eu sou uma Cabra. Não vale a pena negá-lo, eu sou uma Cabra. Para quem me ameaça, para quem me lixa, para quem me diz "então, estás naqueles dias?", eu sou uma valente, refinada, nada contida e completamente assumida Cabra.
(e ouve-se um eco: Cabra.... Cabra.... Cabra...)

Foi então que reparei que possivelmente poderia ter qualquer coisa parecida com uma energia potencial. Não lhe chamo dom porque é presunçoso e ainda não sei se sou boa a fazer o que quer que isto seja... mas tem a ver, talvez, com uma predisposição natural (sim!!! era esta a palavra!!!) para pegar nas coisas que me chateiam e falar mal delas. Óbvio! Sou portuguesa!

... a questão é que é que não tenho voz para o fado, não consigo ouvir e calar e não tenho jeito para andar deprimida. Por isso, numa cruzada inspirada em figuras como Robin dos Bosques e Jeff Dunham, eu, a Cabra Expiatória, decidi

Fundar (não Afundar) o blog da Cabra Expiatória!

Um blog que se dedica a criticar, desenganar e desmoralizar a fina flor do entulho.
Um blog que se compromete a fazer justiça em nome de quem não tem logo resposta!

... e, porque a justiça deve ser servida fria... eu ponho-a a temperar com humor.

Sim, porque isto de nos chatearem a molécula e a seguir ainda termos que ficar tristes é uma homenagem grande demais a quem não merece: as vacas e os leitões deste país (e de outros)!

Os que apostam em desmoralizar, maltratar e criticar quem não merece!
Os que pensam que se podem safar com a acefalia!
Os que se atreveram alguma vez a questionar se alguém vai reparar que eles não prestam...

Por isto, porque gosto de tornar as coisas mais leves, porque adoro rir, mas gosto ainda mais de ver rir... Porque tristezas já há muitas... porque tenho a mania que às vezes até consigo ter alguma (poucoxinha) piada, porque acho que também posso e porque não me deixam escrever um livro, decidi fazer um blog.

Pronto... isto explica?

É que já falei como o caraças!...

Obrigado, Restelo!... Isto foi giro!


Imagem de Ed Polish e Darren Wotz

segunda-feira, 24 de Março de 2008

Sócrates (o filósofo), dá licença....

Não sou ateniense nem grego...
....
... Sou um português f***do.

_______






Tira de Clive Goddard

E viveram com o Fisco para sempre...

"A Direcção-Geral de Impostos (DGCI) está a ameaçar os casais recém-casados com coimas, que vão até 2500 euros, se não prestarem as informações solicitadas sobre os serviços do seu casamento no prazo de 15 dias.(...)

Segundo a edição desta segunda-feira do jornal Público, no inquérito que acompanha a carta, os casais devem informar o fisco sobre a data do matrimónio, o número de convidados e respectivo valor unitário, descriminado por adulto e crianças, e ainda indicar se na mesma data e no mesmo local houve outro evento.

No mesmo inquérito, os contribuintes recém-casados devem preencher uma tabela com todos os serviços prestados, como iluminação, restaurante, serviço de confecção de refeições, animação, vestido de noiva, florista, fotógrafo, entre outros. "

A notícia pode ser lida na TSF.

Ora pois muito bem. A partir de agora, a DGCI intromete-se na vida de qualquer casal e transforma-os nos seus inspectores honorários.

A maravilhosa oportunidade de preencher o inquérito para não levar com uma multa que pode ir até 2.500 euritos inclui o fantástico bónus de andar a lavar a roupa na praça pública, tudo para que os gajos que efectivamente são pagos pelos CONTRIBUINTES para fiscalizar as actividades económicas possam continuar a escolher uma das duas actividades:

- engordar a peida sentadinhos na sua secretária, a jogar solitaire (sem saber afinal como é que se juntam as putas das cartinhas) e fazer downloads ilimitados de hard-porn, para os ajudar a coçar a micose aguda.

- ficar sentadinho a cumprir trabalho, o seu e o dos outros colegas todos que não fazem um cú, mergulhados em processos cuja burocracia envolve milhares de passos que dependem de pessoas que não estão lá para cumprir o seu dever ou que simplesmente não têm mãos para mais.

Eu até sou uma pessoa que gosta de acreditar em coisas bonitas como democracia, respeito pela vida privada, amor à primeira estalada e coelhinhos da Páscoa... mas vão lá para a porra, senhores responsáveis...

O senhor secretário de estado diz que as medidas podem ser demasiado extremas, e que se calhar há necessidade de rever o inquérito... mas é tudo em nome da fiscalização de negócios obscuros, que não prestam as devidas contas.

O comentador da SIC disse que há inclusivamente empresas que, quando questionadas sobre facturas pelos noivos, se dão ao luxo de dizer que, com factura, o valor total sobe 21%. OK, estamos rodeados por filhos de um cabaz de pêgas... Já devíamos saber... Mas a culpa é do cidadão? É o cidadão que tem que adiar a viagem de núpcias para preencher o inquérito, senão arrisca-se a ter que juntar à conta mais uma factura de 2.500 euros?

Esqueçam lá a primeira queca conjugal, jovens! Esqueçam as algemas, arrumem a vaselina e tirem os fatos de cabedal... Está na hora de sacar da canetinha... e se se enganam, levam! ... com o Fisco.

O papel do cidadão português é fenomenal. Com uma taxa de desemprego brutal, acabamos por ver os nossos noivos bem empregues a fazer o trabalho dos rabudos... DE BORLA! Há lá cidadão mai'lindo que o tuga?

Mudam-se os tempos, mudam-se as artes...

É que no tempo do Salazar, como tantos velhotes dizem, realmente a coisa não andava assim. Havia um esforço colectivo por parte das autoridades para enrabar o cidadão pela calada. Agora é à força toda na praça pública...

Vá! Mostrem lá mais 200 notícias sobre o Cristiano Ronaldo e os golos e o car*! A sério! Assim distraio-me, a comer pela televisão o que me querem dar, e escuso de reparar que vivo realmente numa Jangada de Pedra.

Merda para as vossas políticas. Tenho vergonha de ser Portuguesa. E já agora enfiem o acordo ortográfico na cloaca, que eu não escrevo em português com açucar... e hei de continuar a escrever como sempre: com as mesmas letras, apenas mais um bocadinho de raiva pelas vossas medidas.

"It's a shame... the rules change, not the game...."




Imagem de The Corpse Bride, de Tim Burton.

domingo, 23 de Março de 2008

Viagens na minha terra - pequena parte II - The Bitch Is Back

"Do Choupal até à Lapa
foi Coimbra meus amores
e sombra da minha capa
deu no chão abriu em flores


Oh Coimbra do Mondego

e dos amores que eu lá tive
quem te não viu anda cego
Em quem te não ama não vive"

Zeca Afonso
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Nota: Todas as histórias têm um espaço e um tempo. E esta... bem, esta também. Foco mais o espaço emocional, que é o que dá origem ao episódio.
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Não sei de ti.
Perdi-te, mas não como quem perde um qualquer papel, uma caneta... Perdi-te e não sei de ti.
E procuro-te em todo o lado, em cada mão, em cada cheiro, porque sei que hei de te ver, só não sei quando....
Todos os sítios onde estive contigo me doem....
Todos os sítios onde ainda não te levei são tristes...
Que interessa onde ou com quem? Que interessa se só ou não?
Eu só quero ver-te!
Porque a espera é já uma Espera e não sei como lidar com o peso das Coisas.
Quero ver-te. Nem que seja para não te falar, para ouvir apenas Silêncio, para sentir apenas Silêncio, por muito pesado que seja, mas que tenha Paz... Para me encheres o vazio com esse fumo fino que se desfaz num instante...
Para parar, contigo, antes de começar outra vez...

Eu vou-te encontrar...

...
Eu encontrei-te!

Aleluia! (E viva a Páscoa!) Finalmente encontrei-te! Porra! Onde andaste? Vou-te fumar de ponta a ponta... Meu rico tabaquinho.....

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Depois de tão longa espera, só me resta ir ali à saída e gozar do meu direito de fumar à porta...

Mas é neste preciso ponto que preciso de parar a narrativa para explicar algo.
Esta é uma cidade de que gosto muito. Conheço-a desde que me conheço a mim, e sempre gostei daquele pedaço de terra.
Além da pouca família que lá tenho, poucas são as pessoas de lá que integram a minha lista de mensagens de "boa páscoa".

EU não conheço lá gente... Mas há sempre aquela tipa curiosa lá da rua ou lá do bairro que me conhece a mim. E, segundo a sua opinião, melhor do que aquilo que eu me conheço a mim própria.

A tipa de ontem é a típica vaca moralista com a mania que até é esperta.
Este tipo de vaca sai de baixo das pedras e rasteja até nós nas piores alturas para vir tentar sacar novidades e dar algumas lições de vida, enquanto de queixa de coisas como joanetes e bicos de papagaio.
Estão normalmente naquelas idades maravilhosas entre os 50 e os 60, e, como ainda são jovens, aparecem nos seus melhores fatos (as já costumeiras roupas com padrão tigresa) mas depois esquecem-se que vão à rua e acham que ninguém vai reparar que trazem os chinelos de quarto.

Ora, como se pode ver pelo pequeno pedaço de alma rasgado acima, eu encontrava-me numa situação que Platão descreveria como "merdosa": já não fumava há sabe Buda quanto tempo e não sabia da porra do meu tabaco. Tinha urgentemente que ir buscar fios de ovos para as decorações finais de Páscoa (a minha avó estava à beira de um ataque de nervos culinário) e encontrava-me num sítio que detesto: um centro comercial.
É que me irrita, numa cidade com tanto sítio tão lindo, eu ter que estar à porta de um centro comercial e aparecer-me logo a dita cuja vaca.
Claro que ela apareceu e eu nem dei por tal bezerro, continuei na minha paz, à procura do isqueiro, feliz com as pequenas coisas (os cigarros, claro...). E aparece-me aquele emplastro. Ali. Claro que o meu primeiro pensamento lógico foi "Foda-se!"

Depois do habitual "então os paizinhos? A avózinha? A tia? O cão? O gato? O ornitorrinco?", encontro (não sem grande alívio) o meu isqueiro e, à porta do dito cujo espaço comercial, acendo um cigarro pensativo.
Claro que a vaca tinha que justificar o facto de eu lhe chamar moralista com a mania que é inteligente...
Só que se esqueceu, ou nunca reparou, que eu sou a Cabra. Por isso...

Vaca - Ah, a ____ ainda fuma? Coitada... Vai ficar cá fora a fumar? Agora é giro... ficam todos cá fora, os fumadores, parecem cãezinhos...

Cabra - Que giro! Pois é... São os cãezinhos cá fora e as vacas a entrar! Adeus. Boa Páscoa.







Ah! Fica a sugestão... O melhor do fim de semana foi este filme: August Rush... Vão vê-lo! ... esta música sabe bem...

terça-feira, 18 de Março de 2008

Nights in white satin

A minha avó, cujas histórias enchiam 3 livros (2 de culinária e o outro sabe-se lá....), sempre me fez pensar bastante. Não tanto o que diz, mas muito do que faz.

É que a minha avó, embora não seja cristã praticante (ao contrário da neta, que é uma agnóstica praticante), tem uma fé na humanidade que, à primeira, não seria de esperar de quem teve uma vida tão complexa. Ou seja, é um amor. Dócil e cheia de açúcar.

Tão cheia de fé é que, mesmo sem saber que raio de pessoa seria a netinha, decidiu, mal ela nasceu, contribuir-lhe para o dote... E que coisa adorável é o dote. Preparar a netinha pura e casta para a vida familiar, para que ela saiba cuidar do marido e dos filhos enquanto limpa o ninho e prepara éclairs com chocolate e chantilly...

Claro que dote que é Dote tem que conter aquela peça de lingerie maravilhosa que é a camisa de noite de núpcias....

Não me levem a mal! Eu gosto tanto de lingerie como o próximo. Sempre achei piada àquela peça decorativa, porque a sua eficácia mede-se pelo intervalo de tempo que leva desde que é descoberta até que toca no chão... mas há lingerie e lingerie...

E a minha camisa de noite de núpcias é uma lingerie e pêras... E a maneira como a vi ao longo da minha vida sempre revelou facetas da minha personalidade que me deixaram pensativa...

Até por volta dos 6 anos, aquilo era um magnífico vestido de fada ou princesa do reino dos Sonhos Cor-de-Salmão com que ninguém me deixava brincar... E é pena, porque se a tivesse usado aí, teria sido muito mais útil do que aquilo que o que penso que o futuro lhe reserva.

Até aos 16 anos, era a minha vergonha. Aquele desperdício de cetim cor-de-salmão tinha servido para, quem sabe, mudar completamente a minha vida... Queria deitar-lhe a mão e transformar aquela adorável camisa de noite com negligé a condizer num vestido ou numa camisa minúscula, e talvez descobrisse que, afinal, tinha uma possível carreira no mundo da moda!!

Não descobri isso. Antes pelo contrário. Eu e a moda simplesmente damo-nos minimamente bem enquanto existirem calças de ganga. Quando isso acabar, Adeus.

Aos 20 anos esfreguei as mãos e disse "olá salvação de cetim!!" (poético.....). O plano era básico: aquele par ía fazer de mim uma mulher feliz... Iria afastar os meus primeiros 4 maridos com um pequeno problema derivado de uma experiência chocante....

Hoje em dia dá-me vontade de rir, tudo o que aquele monte de tecido me fez pensar e tudo aquilo que me passou ao lado (felizmente.....) dada a minha posição em relação a ele. Evito falar sobre isso com a minha avó, porque ela não tem culpa de aquela peça de vestuário com quase tanta idade como eu ser simplesmente.... inqualificável.

Hoje em dia, considero-me uma mulher muito mais prática, e sei que darei bom uso a tal prenda. Pode não ser na noite de núpcias, como sonhado pela minha avó, porque SE (e que grande Se!!*1) realmente me casar há-de ser qualquer coisa entre festa cigana (10 dias de bebedeira, para eu ter uma excelente desculpa para fazer aquilo) e o ritual de negação.

Mas vai ser usado, por respeito.
Vai dar um cortinado de casa de banho fantástico.... com rendinhas e tudo. Que é para ninguém demorar muito na casa de banho (aquilo vai criar um péssimo ambiente) e não haver discussões conjugais, que sei que é coisa que a minha avó não deseja para a netinha dos olhos dela....

*1 Só ponho cá o SE porque sempre ouvi dizer que "pela boca morre o peixe"... e "nunca digas desta água não beberei"... e outros que mais....

Óleo de Mauro Scali

sábado, 15 de Março de 2008

Sai da frente, Barbara Cartland

Queres um conselho? Senta-te de forma confortável, carrega no botão do play só para ouvir a música (é só para isso que o vídeo aqui está) e, se te apetecer, imagina.... No ar:
The Night, Morphine.




Ela sentou-se no bar como se se sentasse num canto de uma sala de hospital. Estava apenas à espera da consulta já marcada. Não tinha nada para fazer, excepto esperar que o tempo desaparecesse, como a espuma no copo que tinha acabado de pedir.

Ele olhava para a porta, para quem entrava, como se disso lhe dependesse a vida. Tinha que haver mais no mundo. Tinha que ser mais, a vida. Tinha que ter mais, a noite....

A saia que se agitou com o vento da rua e se acalmou com o calor da sala envolvia uma prenda, uma surpresa... a caça, a pergunta latente, o possível prémio.
.
Ela desabotoou o casaco e a cara ao fim do segundo copo. O tempo não passa e o calor está a começar a escorrer pelas costas de uma forma nada agradável. Longa se torna a espera. Amaldiçoou relógios e lugares, olhares e recordações, e, quando reparou no que tinha feito, amaldiçoou também todas as palavras que têm dois "ó".
A cara, desabotoada, não tinha um sorriso... Era um esgar. Qualquer coisa amarga, como quem prova a Espera e sabe que tem que beber aquele copo descomunal até ao fim... como quem sabe que vai saber mal, mas prefere encarar aquilo como simplesmente mais uma coisa para fazer.
À espera... como sempre.

Ele mediu a distância, a temperatura, o grau de inclinação da boca dela em relação à horizontal. Sabia que esta não era apenas mais uma noite igual. Não iria ser apenas mais uma noite nas suas mãos, com as suas mãos...

Viu o desabotoar do casaco e ignorou o da cara. Valores mais altos se "alevantam".... e o motivo era o decote.

Tenho que fazer qualquer coisa....
O quê?
O passado, que a ele nada tinha ensinado, era inútil. Nas recordações, não procurava métodos ou tácticas, memórias de ferimentos antigos ou uma qualquer indicação sobre que arma deveria usar. Procurava, sim, memória de um decote igual àquele.
Nada.
Aquela era a melhor janela que já tinha visto.
.
Não importa o quê nem como, apenas o resultado. A leveza. A simples memória da leveza que ele procurava trouxe-lhe um meio-sorriso à cara. Olhou para as mãos como quem olha para água no deserto: já o tinham salvo inúmeras vezes.
.
Ele aproximou-se com a confiança de um abutre. Em círculos, apenas a mente.
.
Sabia que ía ter com algo inanimado, um animal decapitado mas que mantinha um excelente resto de corpo. Que corpo....

Como começar, não importava. O que importava realmente era fazer algo. Desde que o casaco se tinha desabotoado que sabia que era um sinal. O sinal. Ela sabia, ele sabia que aquilo era um convite, uma amostra...

Confiante como nunca, aproximou-se.

Ela esperava e olhava com um ar aparentemente perdido, mas verdadeiramente aborrecido. Faltava pouco para passar da hora do encontro, e Nada. Nada...

Subitamente, algo se aproxima.

O ar torna-se mais denso.

Uma sombra. Uma silhueta. Um hálito alcoólico acompanha as palavras e ela sabe que chegou o momento.
Mas porquê?

O ego apaga o discernimento. A experiência de anteriores embates de mãos contra a barba recém feita e faces com demasiado after-shave apagam-se no meio do fumo. Uma frase-feita qualquer, velha e rançosa, só para Ela saber que chegou a hora de obedecer...
Um ar de quem não se importa...
Honestidade acima de tudo...

ele - Essas pernas.... abrem a que horas....?

Ela - Assim que comece o meu turno, que é exactamente quando acaba o da tua mãe.